22 dezembro 2016

[Resenha Epistolar] Quando o amor bater à sua porta - Por Samanta Holtz



Título: Quando o amor bater a sua porta
Autor (a): Samanta Holtz
Páginas: 304
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Ele tem um passado do qual não se lembra. Ela precisa esquecer o seu.
Malu Rocha é uma escritora de 29 anos independente, confiante e bem-sucedida. Mora sozinha em São José dos Pinhais, perto de Curitiba, onde mantém uma rotina regrada de pedalar todas as manhãs, escrever e, semanalmente, visitar o avô de 98 anos em uma casa de repouso.
Porém sua vida toda controlada sai do eixo quando um homem bate à sua porta e se apresenta como Luiz Otávio Veronezzi, dizendo ter perdido uma reunião marcada com ela. Malu não se lembra do compromisso e sua primeira reação é dispensá-lo. Mas o belo desconhecido insiste, explicando que sofreu um acidente de carro, ficou em coma e perdeu a memória, assim como seus documentos. As únicas coisas que restaram foram um pouco de dinheiro e um papel com o nome e o endereço de Malu, o nome dele e a data da reunião. Luiz confessa que a escritora era sua última esperança para descobrir a própria identidade.
O problema é que ela não tem a menor ideia de quem ele seja.
Desconfiada, mas sentindo-se responsável pelo acontecido, Malu decide ajudá-lo e embarca em uma jornada para descobrir quem ele é – o que acaba trazendo à tona muitos fatos sobre si mesma, seus medos e segredos mais bem guardados, além de um passado que preferia esquecer.

Malu Rocha é uma escritora de 29 anos. Bem-sucedida, confiante e independente, ela é praticamente casada com seu trabalho e não pretende se desfazer tão facilmente da sua regrada e bem programada rotina. Que inclui escrever, pedaladas matinais e visitas à casa de repouso onde vive seu único familiar vivo, o avô de 98 anos, Ignácio, ou Sargento, como ele gosta de ser chamado. Com sete romances bem-sucedidos e o mais recente inclusive virando filme, ela conquistou o público com belas histórias de amor. Entretanto, ela não acredita nele, achando que tal coisa só ocorre na ficção. Além de ter sérias desconfianças com relação às pessoas e seus atos. Ela vai descobrir, entretanto, de um jeito bem pouco comum, que não funciona assim.

"[...] Luiz Otávio era oficialmente seu problema, sua responsabilidade. E ela tinha se tornado uma parte fundamental da história dele. Algo como a luz no fim do túnel ou o último vestígio de esperança ante de, quem sabe, ele recuperar as memórias escondidas [...] É isso, ela constatou, conformada. Se saí na chuva, é para me molhar. E aquela era uma tempestade que estava apenas começando."

Entre a convivência com o desmemoriado Luiz Otávio, a quem oferece ajuda quando este encontra-se em situação complicada, um final de romance ficcional que não consegue chegar e uma viagem à uma belíssima fazenda, Malu redescobre aspectos de sua vida que tinha deixado para trás em razão de profundas feridas do passado. E nesse ínterim, terá a ajuda de seu novo amigo, que pode se tornar muito mais do que isso à medida que os laços se estreitam. E ela descobre que o sonho é uma segunda vida e que não se vive sem ele.





Querida amiga Samanta Holtz...

Sim, você não é apenas prezada senhorita, prezada escritora ou prezada, tornou-se uma amiga através de seu mais recente romance, Quando o amor bater à sua porta.


Imagino que você nunca recebeu uma carta como essa, não é? Bem, será a sua primeira e espero humildemente que compreenda minhas impressões e interpretações. Permita-me antes de qualquer coisa elogiar muito a edição concebida pela Arqueiro: uma maravilhosa capa, um belo design de impressão, folhas levemente amareladas somadas a uma boa fonte para a leitura que tornam a edição física muito bonita e apreciável.

Primeira coisa: sua escrita é bela, profunda e nos deixa ansiosos pelos próximos fatos. Confesso, entretanto, que li o romance um pouco devagar inicialmente porque foi minha primeira experiência com você. E eu geralmente, quando estou nessa situação, prefiro não ir com tantas ganas. Gosto de apreciar o que o autor tem a me oferecer e devo dizer, no seu caso, gostei muito do que recebi.


Segunda coisa: a trama, a princípio, pode parecer com tantas outras que se vê hoje, mas me ganhou por um motivo muito simples: a forma como você a construiu. Tudo foi se sucedendo de forma natural e a protagonista aos poucos foi mudando para melhor. Não sei se foi proposital ou inconsciente, mas a jornada da Malu Rocha me pareceu muito com a famosa jornada do herói, já que, pelo menos para mim, a protagonista passou pelos vários estágios que compõem este caminho. Tudo nesse caso, porém, é a pura e simples interpretação do que li.

Terceira coisa: seus personagens são cativantes na medida certa. Um pouco a despeito do Luiz Otávio ser tão adoravelmente perfeito. Apesar de ter um único defeito visível: uma sinceridade muitas vezes impertinente. Mas que acaba sendo importante para que a Malu comece a compreender que o mundo não é tão cinza e nem tão preto e branco. Uma compreensão que eu finalmente tenho em 100%.

“- É difícil entender por que uma mulher como você passa tanto tempo sozinha.
[...]
- Eu... Eu apenas... — Deu de ombros, atrapalhada. - Nunca encontrei alguém.
Um sorriso breve levantou o canto dos lábios de Luiz, que balançou a cabeça como se aquela ideia fosse inconcebível.
- Mulheres como você não precisam encontrar alguém, Malu. Mulheres como você são encontradas.”

Por que? Porque me identifiquei muito com a tua personagem. O começo dela no livro pode não dar a melhor das impressões sobre ela para muita gente, mas me fez perceber o quanto eu ainda preciso aprender a acreditar mais nas pessoas e nas suas ações. A não ser tão imediata e virulenta nas respostas que dou às provocações porque como ela, sou marrenta e não gosto de ser provocada. Porque como ela, eu construí um escudo quase impenetrável em volta de mim por razões semelhantes às da Malu*. Que certamente você sabe por ter escrito, mas que aqui não posso dizer por ser spoiler. Pois eu quero muita gente lendo esse livro tanto quanto você com certeza quer.


Quarta coisa: o único ponto não tão positivo que tenho com relação ao seu livro foi o pouco desenvolvimento das relações familiares da protagonista e do Luiz Otávio. É aí que eu entro em uma das minhas peculiaridades de leitora: interpreto tudo o que leio, mesmo as entrelinhas. E nelas, você explicita que a única relação familiar que a Malu Rocha realmente possui é com o avô, que eu achei um dos melhores personagens do livro, que mesmo não aparecendo tanto, deu preciosos conselhos para ela. Quanto à mãe dela, senti um pouco de falta sobre o que a levou a simplesmente abandonar a própria filha após a morte do pai de forma trágica. E claro, gostaria de saber mais ainda sobre o Luiz Otávio e a família dele, mas, quem sabe um dia você escreva algo sobre isso, não é? Muitos autores apelam a este recurso e saem coisas muito interessantes.


Interpretei a ausência e rejeição maternas como um dos fatores que levou a Malu a se fechar tanto com relação ao amor e seus derivados. Embora o segredo dela também tenha sido um fator igualmente importante. Apesar de confessar não ter certeza se estou correta nisso, mas como já disse, a interpretação vai de cada pessoa. Como no que a Malu Rocha revela em um ponto do livro, que à primeira vista pode não parecer a coisa mais surpreendente do mundo, mas nos faz pensar como a gente acaba se fechando para tantas coisas apenas por passar uma experiência ruim. Posso falar por mim mesma, que tenho uma enorme dificuldade em fazer amigos e gostar de imediato das pessoas por ser extremamente desconfiada. Embora minha facilidade nesse caso venha com pessoas que geralmente gostam do mesmo que eu. Tudo porque eu vivi algo ruim que marcou demais.

"E é por isso que minhas histórias de amor estão nos livros, e somente nos livros."

Encerro esta carta dizendo, do fundo do meu coração, que Quando o amor bater à sua porta é uma leitura altamente recomendada e que merece ser apreciada em toda a sua plenitude com absoluta certeza. E que você com certeza é uma das grandes escritoras dos tempos atuais, cuja produção eu espero que seja ainda mais maravilhosa e prolífica.

Com amor e gratidão, Renata, uma leitora, além de uma teimosa dama.

(para ler passe o mause)
*PS: E a minha razão posso resumir do seguinte modo: uma “amizade” partiu meu coração com uma traição pela qual sofri por um longo tempo, pois era uma década de amizade que estava sendo jogada fora. Lendo seu livro, porém, percebi, afinal, que por mais que eu me pergunte, agora muito de vez em quando, o motivo da pessoa ter agido assim comigo, a grande verdade é que eu nunca precisei fazer essa pergunta, pois quem devia consultar a consciência era quem causou isso em mim. As razões são da pessoa e ela devia sabê-las. Talvez um dia eu as saiba, quem sabe nunca as saberei. O que me causou muitos episódios de tristeza e talvez uma piora na minha ansiedade, da qual eu sei que sofro em razão da oncofagia que me faz roer as unhas sem motivo, mas não trato porque odeio tomar remédios e prefiro escrever, ler e jogar para relaxar a cabeça. Eu sei, porém, que provavelmente preciso tomar uma atitude mais efetiva com relação a isso.

14 comentários:

  1. Olá
    Eu já conhecia a obra em questão, até porque se trata de um lançamento bem recente e eu vou muitas resenhas nesses últimos meses, resenhas essas bem positivas por sinal é em suabamioria falando o quanto é boa a sua escrita. Fico feliz que você se tornou mais má que amou a obra da autora, eu não tenho muita curiosidade em ler a obra mas gosto de conferir as opiniões dos outros. Amo essa capa que a Arqueiro fez, está um charme.cate mais ver.
    Bjk

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  2. Olá!
    Isso é o que eu chamo de se empolgar na resenha! Nossa, você simplesmente fez um ótimo texto, sua avaliação foi muito legal, escrevendo essa carta para a autora, pontuando tudo. E apenas esse ponto negativo tenho certeza que não impedi da história ser linda. Tenho muita vontade de ler algo dessa autora.
    Parabéns pela resenha e pelo blog e também pelo ótimo grupo lá no face!

    Abraços

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  3. Ola!
    Tenho esse livro e ainda não li mas as resenhas que li foram super positivas.
    Adorei suas considerações e estou ansiosa pra ler essa obra.

    Até a próxima!

    Camila de Moraes - Blog Book Obsession

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  4. Olá
    Adorei poder conferir suas impressões sobre esse livro, especialmente porque terminei de le-lo na semana passada e para mim foi uma leitura ótima, e claro, compartilho de suas opiniões também. Já conhecia o trabalho da autora e mais uma vez demonstrou o quanto é incrível em suas histórias! E outra, a forma como você escreveu suas considerações ficou maravilhosa, parabéns mesmo pelo desenvolvimento diante da forma em carta!
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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  5. Oiee Renata ^^
    Eu também gostei muito deste livro ♥ não gostei muito da Malu no início, por motivos óbvios, creio eu, mas, como você disse, ela foi mudando para melhor aos poucos e até pareceu a jornada de herói. Também achei Luiz Otávio apaixonante, assim como a história em si ♥
    MilkMilks ♥
    Milkshake de Palavras

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  6. Você realmente se identificou com a personagem, então não é difícil entender o quanto o enredo mexeu e fez você se apaixonar. Eu tenho o livro,mas não o li ainda. A Samantha deve estar muito feliz com sua carta, um belo depoimento sobre o trabalho que ela realizou.
    Bjs

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  7. Que resenha linda, o formato em que você escreveu deixa tudo mais apaixonante. É ótimo quando um livro nos marca assim. Não gosto muito de livros em que os personagens principais são mais frios e calculistas, mas nesse caso, fiquei curiosa sobre o que levou a Malu a ser assim.
    Adorei a resenha, ficou linda. Espero que a Samanta leia também. Beijos!

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  8. Olá eu já li dezenas de resenhas sobre esse livro em particular, mas a forma como você construiu a sua me encantou. Para além de trabalhar o livro ponto a ponto, a forma como você fez como uma carta deixa o leitor mais próximo de você. Adorei!

    Ainda não li esse livro porque sempre que ia comprar estava caríssimo, mas agora que baixou vou ver se compro.

    Beijos e sucesso em 2017!

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  9. Olá, tenho ouvido muito burburinho sobre essa obra...ela está mesmo em alta. Gostei bastante de como você abordou o enredo em sua resenha, parabéns. Fiquei bastante curiosa pra conferir também!

    Abraços

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  10. Oi!
    Adorei a ideia de uma resenha epistolar, nunca tinha lido.
    Fiquei contente por saber que o livro te agradou e tocou tanto. Ainda não conhecia a obra, mas achei tudo bem interessante, mesmo a personagem não tendo sido agradável no começo.
    Desconhecia a obra, mas, com certeza, é um livro que leria.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  11. Adorei saber que apesar de parecer igual a qualquer outra história a autora assim mesmo conseguiu te tocar e surpreender. Fiquei encantada pela trama desde que lançou, e a cada resenha que eu leio só tenho certeza de que vou amar a leitura. Adorei sua resenha!
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  12. Oi Renata, tudo bem?
    Adorei sua resenha em forma de carta ficou bem original e divertida. Já vi varias resenhas sobre esse livro é me bate uma curiosidade de ler só para saber quem.é esse homem é se ele vai conseguir recuperar suas memórias. Mas no momento não vou ler e sim deixar mais para frente.
    Bjs

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  13. oie, amei a resenha. Concordo com o que você pontuou, embora eu não tenha sido tão cativada assim pelo livro, mas a personagem realmente tem uma evolução considerável e aprecio muito isso. também gostei da forma como a autora construiu as relações, tudo com muita calma. E os cenários são extraordinários, não é? foi o que mais me chamou atenção em todo o livro.

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  14. Querida Renata,

    Que delícia ler essa carta liiiiiinda que você escreveu para mim aqui no blog! Fiquei encantada e li cada linha com um sorriso no rosto :)

    Amei saber não somente suas impressões lindamente colocadas sobre os personagens, a trama, a minha escrita e a edição do livro... como também poder entender como minha história a tocou profundamente em relação aos sentimentos que você carrega, seus próprios traumas e vivências. Li a parte final da sua carta, passando o mouse, e fiquei feliz e emocionada com suas conclusões!! É exatamente isso; a tormenta, se existir, deve estar no coração de quem provocou o mal, e não no de quem o sofreu. Quem o sofreu aprende, cura as feridas e segue adiante, mais forte e mais sábio! ;)

    Que você tenha dias felizes e se veja cada dia mais distante de qualquer ansiedade e qualquer sintoma que ela lhe provoque!

    Beijo enormeeee e obrigada pela postagem tão original e carinhosa!

    Sam :*

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