28 dezembro 2016

[Resenha] O Feiticeiro de Terramar - Por Ursula K. L. Guin



Título: O feiticeiro de Terramar
Autor (a): Ursula K. Le Guin
Páginas: 176
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.

O enredo se passa em um mundo fictício chamado Terramar. Duny nasceu em uma aldeia isolada, Dez Amieiros, órfão de mãe, viveu com o pai, um forjador de bronze irritado e taciturno, e com seis irmãos mais velhos que seguiram suas vidas quando ele ainda era criança. Quando tinha sete anos viu a tia, irmã da mãe dele, que também vivia na aldeia, controlando uma cabra com apenas algumas palavras. Curioso, Duny, mais tarde, usou as mesmas palavras da tia para tentar controlar um grupo de cabras, mas não soube desfazer o feitiço e acabou perseguido por elas.

Percebendo que o garoto possuía talentos mágicos, a tia passou a ensiná-lo, e ele passou a conseguir dominar vários animais, em especial aves rapinas pelas quais ele era fascinado. Foi então que ele recebeu o apelido das outras crianças que o viam cercado de aves de rapinas e que o seguiu até a vida adulta: Gavião.

A tia o ensinou até completar 12 anos. Momento em que a aldeia aonde vivia foi atacada pelo império Kargad. Eram 100 invasores, soldados treinados, contra 18 aldeões, crianças e adultos. Os poderes e conhecimentos da tia eram limitados, e ela não ensinou a Dunny muita coisa que ele pudesse fazer nessa situação. Fazendo uso do conhecimento limitado que possuía, Duny invocou todo o seu poder e conseguiu formar uma névoa e alucinações capazes de enganar os invasores, levando alguns a morte, e outros a fugirem.

No entanto, o uso desse poder desconhecido acarretou em graves conseqüências para Duny. Ele ficou em estado catatônico, sem conseguir mover-se, comer ou dormir. Até que um mago chegou a aldeia, Ogion, o silencioso. Este mago ajudou Duny a recuperar-se, lhe deu seu verdadeiro nome quando ele completou 13 anos: Ged e o levou para Re Albi para ser seu aprendiz.

Um adendo: neste livro, a magia está no verdadeiro nome dos seres. Se um mago souber o verdadeiro nome de um ser, poderá controlá-lo.

Ogion se mostrou um mestre a lá Sr. Miyagi Karatê Kid, que ensinava sem que Gavião percebesse que estava sendo ensinado. O que deixou Gavião muito incomodado. Ele queira aprender os feitiços complexos, queria testar seus limites. E começou a perder a paciência com o mestre. Até que um dia, ao tentar realizar um feitiço complexo, ao qual não estava capacitado e que quase resultou em tragédia, o mestre lhe deu a opção de ir para uma escola de magia localizada na ilha de Roke, onde Ged aprenderia as artes elevadas.

"Ged pensara que, como aprendiz de um grande mago, teria todo acesso ao mistério e ao domínio do poder. Ele compreenderia a linguagem dos animais e a fala das folhas da floresta, dobraria os ventos com sua palavra e aprenderia a tomar qualquer forma que desejasse. Talvez ele e o mestre corressem juntos como cervos ou voassem para Re Albi acima das montanhas, sobre as asas das águias.Mas não foi assim. [...] Três dias se passaram, quatro dias se passara, e Ogion ainda não dissera um único encantamento que Ged tivesse escutado nem lhe ensinara um único nome, runa ou feitiço." Pág 25.


Sem pensar duas vezes, Ged decidiu ir para Roke. Em pouco tempo ficou claro que Ged era extremamente poderoso e aprendia muito mais rápido que os demais. Todos, ou quase todos, passaram a admirá-lo e a temê-lo. Até que um dia, movido pela vaidade, em uma tentativa de demonstração de poder, Ged liberou uma criatura maligna ao realizar um feitiço. O que quase o matou e o deixou com profundas cicatrizes na face. Agora, sem qualquer resquício da confiança anterior e depois de, aparentemente, ter perdido partes das habilidades, Ged deverá conter o mal que libertou.

"Mas, até La, não haveria descanso nem paz para Ged, dia ou noite, em terra firme ou no mar. agora ele sabia – e o conhecimento lhe custara caro – que sua tarefa nunca tinha sido desfazer o que fizera, mas terminar o que começara." Pág. 139.




O que chamou minha atenção e despertou meu interesse em ler o livro foi o fato de ele ter sido escrito em uma época (1968) em que o gênero fantasia não era tão comum, tampouco reconhecido. Fato que foi ressaltado tanto na sinopse quanto no posfácio escrito pela autora. Outro ponto interessante é o livro relata a infância de um personagem que será um grande mago no futuro. O que me lembrou de uma leitura que fiz no começo do ano e gostei muito: A Caverna de Cristal da Mary Stewart, que relata a infância do Merlin, publicado na década de 1970. Outro livro que indico muito e que pretendo resenhar em breve.


No começo Ged era um garoto confiante, arrogante, vaidoso e faminto por poder. No entanto, depois do desastroso feitiço, ele se tornou mais humano, mais sensível ao sofrimento e às necessidades alheias. Amei ver o crescimento e a auto descoberta do personagem no decorrer do livro.

" [...] Você nasceu com grande poder, mas o usou de maneira errada, para lançar um feitiço sobre o qual não tinha controle, sem saber como afetaria o equilíbrio de luz e trevas, vida e morte, bem e mal. E você foi movido a isso por vaidade e ódio. É de admirar que o resultado fosse a ruína? [...]" pág. 69

Sobre os demais personagens, os da infância do Ged foram pouco trabalhados. Suas personalidades e características próprias não foram evidenciadas. Os personagens que realmente tiveram maior influência na narrativa foram o mago Ogion e dois colegas mais velhos que Ged conheceu em Roke.

O melhor que posso fazer para descrever o mago Ogion é compará-lo ao Sr. Miyagi. Um homem sábio, silencioso, disciplinado e totalmente leal. Ele fez tudo que pôde para ajudar o Ged, e mesmo depois de tudo, continuou sendo seu verdadeiro mestre.

"- Ged, meu jovem falcão, você não está amarrado a mim nem a meu serviço. Você não veio a mim: eu é que fui até você. Você é muito jovem para fazer esta escolha, mas não posso escolher por você. Se quiser, eu o enviarei à ilha de Roke, onde ensinam todas as artes elevadas. Você vai aprender qualquer uma que quiser, pois seu poder é grande. Maior até do que a sua vaidade, espero. Eu o manteria aqui comigo, pois tenho o que falta a você, mas não vou mantê-lo contra a sua vontade. Agora escolha entre Re Albi e Roke." Pág. 31

Jaspe foi o aprendiz que recebeu o Ged quando ele chegou a Roke e quem lhe mostrou a escola. O Ged logo de cara antipatizou com o Jaspe e teve impressão de que ele o menosprezava. Muito educado, e provavelmente vindo de uma família com maiores recursos, Jaspe era o único que não se deixava impressionar pelas proezas do Ged.

Vetch, outro aprendiz um pouco mais velho que Ged, foi descrito pela autora como um garoto grande, quieto e negro. O melhor personagem, em minha opinião. Inteligente, bondoso, corajoso, com um coração enorme e sempre disposto a ajudar, independente do tão pouco a pessoa aparente merecer.



A narrativa se dá em terceira pessoa através do ponto de vista do Ged. Embora demonstre o ponto de vista de outros personagens no decorrer da trama, o que ajuda o leitor a entender melhor e ter ampla perspectiva do enredo. A leitura é rápida e fluída. Sabe aquele livro que você lê sem perceber? Que quando se dá conta já passou da metade? É esse mesmo. Concluí a leitura em dois dias de pouca disponibilidade.

Gostei muito do posfácio, pois a autora deixa suas impressões acerca da própria obra. Eis alguns pontos que ela ressaltou e eu gostaria de comentar: Contrariando as expectativas, principalmente para a época em que o livro foi publicado, os personagens principais e heróis não são brancos. A pele do Ged é descrita como cor de canela e o Vetch é negro.
Um ponto negativo, que a própria autora ressaltou, é que as mulheres foram excluídas da aventura, elas não frequentam a escola e se mostram com postura submissa perante os homens. A autora não quis retratar guerras ou grandes batalhas. Ela focou a narrativa na saga de autoconhecimento de um homem que será um dos maiores magos um dia.

"Fora salvo pela sabedoria instintiva do animal que lambe o companheiro ferido para confortá-lo.
Ged viu naquela sabedoria algo semelhante ao próprio poder, algo tão profundo quanto a feitiçaria. A partir de então ele passou a acreditar que sábio é aquele que nunca se separa das outras criaturas vivas, quer elas falem ou não. Nos anos seguintes ele ansiou por aprender tudo que pode ser aprendido, em silencio, doa olhos dos animais, do vôo dos pássaros, dos gestos grandiosos e lentos das arvores." Pág. 83.

Outro aspecto que achei muito interessante é que os personagens não são nem totalmente bons e nem totalmente maus. São seres complexos, como na vida real, que possuem características positivas e negativas. Parafraseando o nosso eterno Sirius Black: “O mundo não é dividido entre homens bons e comensais da morte. Todos temos luz e trevas dentro de nós. O lado em que decidimos agir é que define quem somos.”

O que me despertou a curiosidade em procurar saber sobre o livro foi a capa, que a editora foi publicando pequenas partes de cada vez através do instagram. A capa está linda e tem tudo a ver com o conteúdo do livro. A diagramação está ótima, com letras grandes que facilitam a leitura. Além de ter um mapa de Terramar no inicio que ajuda o leitor a não se perder.

Eu indico para todos que se identificam, mesmo que minimamente, com o gênero. É o tipo de leitura universal, que não é exclusiva de gênero ou faixa etária específicos. Muitos atribuem fantasia ao público infantil e/ou adolescente. No entanto, a maioria dos livros desse gênero traz um enredo muito mais intrincado e linguagem muito mais complexa do que a maioria dos livros voltados para adultos que li nos últimos tempos.

21 comentários:

  1. Ola
    Eu nao conhecia esse titulo, mas adorei poder conferir suas impressões a respeito. Amo fantasia, entao é claro que despertou meu interesse. Na verdade fiquei mais curiosa mewmo diante da época que fora escrito e sobre o detalhe dos nomes verdadeiros dos seres e o seu controle. O desenvolvimento dos personagens e suas complexidades deve ser algo a compreender também.
    Dica anotada!!
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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  2. Olá
    Eu fiquei bem feliz quando esse livro foi anunciado pela Arqueiro, e já queria o livro para ontem. Mas infleziemne acabei não lendo logo em em seguida, mas pretendo ler ele na o que vem já que sua sequência já está marcada para o 1° semestre de 2017. EU sou muito fã de Fantasia e uma tão clássica quanto deve ser Terramar com certeza eu irei amar de mais. Eu particularmente não gostei muito dessa capa da Arqueiro mas ela é legal. Até mais ver
    Bjks

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  3. Olá. Eu me surpreendi quando você falou que esse livro foi lançado na década de 60. Isso me faz admirar ainda mais o autor devido as restrições que tinham nessa época. Gostei também do fato que esse livro não apresenta personagens totalmente bons e totalmente maus o que me faz ver que eles são bem realistas. Gostei muito da completude de sua resenha. Beijos

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  4. Olá!
    Nossa não fazia ideia que o livro era tão antigo assim. 1968 é bastante tempo! Mas apesar de antigo kkkk não leio esse gênero. Jura não me atrai fantasia. A capa para ser sincero ficou show, muito bonita a arte. Parabéns pelo blog e suas resenhas são sempre ótimas!!

    Abraços

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  5. Olá Barbara,
    Adorei conhecer suas impressões sobre esse livro e tenho muita vontade de ler.
    Só acho ruim que as mulheres não façam parte da aventura, por serem mulheres, sabe?
    É legal os personagens serem um misto de bondade e maldade. Acho isso muito próximo do que temos na realidade.
    Espero ler esse livro em 2017.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  6. Oi, tudo bem?
    Então, eu já conhecia o livro, já li algumas resenhas sobre ele e sempre achei ele um livro intrigante e sempre tive vontade de lê a obra. A sua resenha me deixou ainda mais intragada e curiosa com a obra e espero poder lê-la o mais breve possivel haha

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  7. Oii Barbara, tudo bom? Adorei sua resenha. Essa foi a última leitura que fiz e também gostei muito, apesar dos momentos mais monótonos. Gostei bastante do universo fantástico criado pela autora, as lendas e ambientação. Estou ansiosa para conferir os próximos do Ciclo Terramar. Espero que a editora traga pelo menos mais 2 em 2017 :D
    Beijos

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  8. Oieee
    Nossa, agora bateu arrependimento de não ter pedido esse livro.pra editora, pois ele contém tudo que gosto numa bela história.
    Agora fiquei aqui pensando se ele recupera todos os.seus poderes e como.ele vai lhe dar com esse ser que libertou.
    Beijos

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  9. Muito legal o livro ter sido escrito na década de 60, traz uma visão mais independente, já que as obras do tipo não tinham a mesma frequência e vidão dos dias atuais. E esse ponto realmente chama a atenção. O fato da história estar focada na descoberta do próprio personagem., sinaliza isso. Ótima resenha.
    Bjim!
    Tammy

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  10. Adorei a comparação com o Sr. Miyagi. O livro é bem curtinho e dá até pra duvidar que acontece isso tudo em menis de duzentas páginas! Achei interessante também o fato dele conter impressões da própria autora. Mas acho que não leria o livro, pelo menos não agora.

    Beijo

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  11. Oi, tudo bem?
    Antes de mais nada você mencionou a caverna de cristal livro pelo qual sou apaixonada. Você já leu a sequência?

    Esse livro me pareceu bem interessante cheio de fantasia e me interessou l fato que mencionou dele ter sido escrito em uma época em que o gênero não era tão bem recebido.
    Fiquei super curiosa com o enredo e pretendo ler em breve.
    Bjs

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    1. Oi.
      Estou aguardando meu namorado me dar as sequências, já que foi ele que me dei o primeiro.
      ;P
      Você já leu?

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    2. Oi.
      Estou aguardando meu namorado me dar as sequências, já que foi ele que me dei o primeiro.
      ;P
      Você já leu?

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  12. Olá,
    Um dos motivos que me chamou a atenção também é que ele foi escrito em uma época que a fantasia não era muito comum e que serviu de base para outros que foram escritos posteriormente. Sou apaixonada por fantasia e a premissa é bem interessante.
    Ver o crescimento de um mago desde o começo, com seu treinamento e aprendizado é de encher os meus olhos.
    Adorei saber suas impressões e que os personagens são complexos.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  13. Oiii!!
    Não conhecia esse livro e depois de ler sua resenha, fiquei com muita vontade de ler. Gosto de histórias mágicas, me fazem sair da rotina e da vida real. Me lembrou bastante de karatê kid. Com certeza vou ler e conhecer melhor esse universo fantástico e principalmente acompanhar o de desenvolvimento do Ged.
    Beijos

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  14. Já tinha ouvido falar sobre esse livro, mas não sabia do que se tratava. Gostei bastante do enredo e o fato de Ged evoluir me chamou a minha atenção. É realmente uma pena que não tenha muitas mulheres e que elas sejam submissas, mas entendo quando a autora disse que estava focando apenas na história do homem em que Ged iria se tornar.
    Amo mapas e o fato desse livro possuir um já me chamou a atenção. Além disso, gostei de saber que foi escrito numa época tão diferente e quero conferir o que muda e o que não muda.
    Sua resenha está ótima.
    Bjs, Mila

    http://a-viagem-literaria.blogspot.com/

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  15. Eu estava super empolgada para ler o livro, aí li uma resenha que me desanimou e isso junto ao fato de eu não ser muito fã de fantasia me fez riscar o livro da lista de leituras.
    Que bom que a gente pode mudar de ideia, não é mesmo?
    Porque ler sua resenha, os pontos que você cita - e que a autora também chamou a atenção - além do comentário de que ele pode agradar até quem é minimamente ligado ao gênero por ser mais que apenas um livro de fantasia me fez voltar a ficar empolgada com a leitura.
    Colocando ele na lista de próximas compras agora mesmo!!!!
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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  16. Olá!!!
    Os livros da Arqueiro estão cada vez melhores ;P Ainda não li esse livro mas já tá na minha listinha... E é muito bom saber que ele é uma leitura rápida e fluida principalmente pra esse tema de fantasia ^^

    http://livroaoavesso.blogspot.com.br/2016/12/resenha-sombra-do-passado-sylvain.html#comment-form

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  17. Bate-me uma tristeza nunca ter lido nada da Ursula, sabe?
    Para os que curtem fantasia, com ela não tem errada.
    O livro está em uma edição linda pelo visto, amei a capa e a história é o detalhe principal, que nossa, excelente(mesmo não lendo já sei que é boa, haha)

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  18. Oie, tudo bem? Eu não sou fã do gênero mas já ouvi tanto falar bem que a leitura me interessou. Também acho que o fato dos personagens não serem brancos foi muito inovador na época! Essa capa é lindona né não? Bjossss

    http://porredelivros.blogspot.com

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  19. Oi Stef!

    Apesar de ter lido otimas criticas a respeito desta obra não consigo ter vontade de conferir.

    Desde a primeira vez que me deparei com a obra, tive um certo receio, mas não sei explicar bem o motivo.

    Um ponto interessante que achei foi você descrever os personagens como seres complexos, nem bons nem maus e isso pode ser fundamental para atiçar a minha curiosidade em talvez conferir a obra!

    Abraços!

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