25 janeiro 2017

[Resenha] O sári vermelho - Por Javier Moro



Título: O sári vermelho
Autor (a): Javier Moro
Páginas: 444
Editora: Planeta de livros
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Sinopse: Em 1965, Sonia Maino, uma estudante italiana de 19 anos, conhece em Cambridge um jovem indiano chamado Rajiv Ghandi. Ela é filha de uma família humilde de Turim - ele pertence à estirpe mais poderosa da Índia. É o início de uma história de amor que nem mesmo a morte será capaz de quebrar.
Por amor, a italiana abandona seu mundo e seu passado para fundir-se com seu novo país, a Índia prodigiosa que adora 20 milhões de divindades, fala oitocentos idiomas e que vota em quinhentos partidos políticos. Sua coragem, honestidade e sua entrega, acabarão transformando-a em uma deusa aos olhos de um sexto da humanidade.

"- Pense bem, Soniaji. Pense em Nehru, em Indira, em Rajiv... Sua família está tão intimamente ligada à Índia quanto um cipó em volta do tronco de uma árvore. Vocês são a Índia. Sem vocês, não somos nada. Sem você, não há porvir para esta grande nação. Essa é a mensagem que viemos lhe transmitir. Sabemos que são horas amargas, e pedimos perdão por interromper seu luto, mas não nos abandone. Não jogue fora tanto sacrifício e tanta luta. Você tem em suas mãos a tocha dos Nehru-Gandhi, não deixe que se apague."

Em 1965, Sonia Maino era uma jovem italiana que havia terminado recentemente a escola e que gostaria de estudar mais, principalmente a língua inglesa, a fim de ter mais oportunidades de emprego. Pensando nisso, pediu ao pai, Stefano Maino, um homem rígido e conservador, para que a enviasse para Cambridge, para que ela pudesse estudar na Inglaterra. Relutante a princípio  e depois convencido pela esposa e pela filha, Stefano aceita e Sônia viaja para aquele lugar frio, desconhecido e melancólico. Porém, tudo melhora no local assim que ela conhece Rajiv Gandhi, um estudante pobre, que mais tarde ela veio a descobrir que era filho de uma das famílias mais famosas da índia, e era neto de Neru Ghandi, um homem que lutou ao lado do idolatrado Mahatma Ghandi e que foi primeiro ministro da Índia.

"Havia outro sári exposto, vermelho-pálido, com um festão prateado.
- Esse é o sári que meu avô teceu na prisão para o casamento de minha mãe... Espero que um dia você o use... - disse a ela divertido."

Logo, os dois jovens se veem irremediavelmente apaixonados, mas esbarram na diferença cultural que existe entre eles. Porém, depois de muito lutar contra a família de Sonia, contra a distância e os demais empecilhos, Rajiv e Sonia se casam, e a jovem adota a índia como seu novo país e luta para se acostumar a uma cultura tão diferente. Também, o casamento traz para a italiana uma vida que ela jamais esperava, a de estar inserida na política daquele imenso país, primeiro, acompanhando sua sogra que é primeira-ministra. Depois, acompanhando o marido no mesmo cargo, e mais tarde, sendo requisitada ela própria para a função, e tem, nessa jornada, de ver tramas intrincadas e pessoas dando o sangue por seu país e seu povo.

"Nunca, em quinze anos de casamento, haviam tido uma briga. Nunca trocaram uma palavra mais alta. Nunca Sonia havia chegado tão longe. “Lutei como uma tigresa por ele, por nós e por nossos filhos, pela vida que havíamos construído, por sua vocação de voar, por nossas simples amizades e, principalmente, por nossa liberdade: esse simples direito humano que tão cuidadosa e consistentemente havíamos conservado”, escreveria mais tarde.
Mas as forças contra as quais Sonia lutava eram muito mais poderosas que seus argumentos a favor da felicidade individual e da harmonia familiar. Que peso podia ter o bem-estar burguês de uma família de quatro membros comparado com o destino da Índia? Essas forças, que surgiam da história profunda da nação, falavam em nome de um país de mais de 700 milhões de pessoas. Eram as mesmas forças que haviam levado Indira à roda da política e que agora exigiam a presença de Rajiv."

Através de uma escrita que prende e um enredo fascinante, acompanhamos essa saga que traz a história de Sonia mas também a de sua família, e traz também a história da índia e de cada um de seus habitantes.

"Há momentos em que a vida não nos deixa escolher porque não há escolha possível."






O sári vermelho é um daqueles livros que estava na minha lista de livros a serem  lidos há muito tempo, e eu sempre adiava a leitura, pois imaginava que ele era uma obra complexa e cheia de detalhes. Porém, após ter meu primeiro contato em 2016 com Javier Moro, através do livro Flor da pele, me senti fascinada por sua escrita e fiquei com um forte desejo de ler mais das suas obras. Então, assim que o ano iniciou, resolvi que O sári vermelho seria uma das minhas leituras de janeiro, e então o comecei. Confesso que gostei do livro e foi uma história que me fascinou, mas de certa maneira eu esperava mais da obra, pois fala bastante do sistema político da Índia, e eu também fiquei querendo um pouco mais de detalhes sobre a vida de Sonia, ou ao menos fatos mais interessantes e detalhados, que não vieram, mas ao mesmo tempo foi um livro que me deu uma belíssima aula cultural sobre a índia, como eu nunca havia tido.

O ponto mais positivo para mim foi justamente esse de poder conhecer a índia, seu sistema de castas, sua religiosidade, e poder ver como foi um lugar que demorou para se atualizar e se modernizar. Também, fiquei  espantada e chocada com  o quanto os indianos são fervorosos em relação à política e a religião, chegando a extremos por causa de suas crenças. Ainda é um fato positivo  podermos acompanhar a história de Indira Ghandi, a sogra de sonia, que foi primeira-ministra na índia, e em alguns momentos chegava a ser adorada como uma deusa, bem como esse tratamento de divindade foi transferido para o marido de Sonia e para ela mesma, como se eles fossem a única esperança de um povo perdido. Outra coisa que me chamou bastante atenção, foi o modo como o autor conduziu a história, começando por um momento crucial na vida de Sonia, quando ela já é uma mulher bem mais velha e já enfrentou muita coisa na índia, e só depois voltamos para conhecer o passado e a forma como ela chegou até ali.

Porém, o  que me fez não achar o livro perfeito e foi um ponto negativo para mim foi a presença das diversas descrições políticas, que em alguns momentos me deixaram irritada, e também a vida de sonia que muitas vezes parecia bastante corriqueira e não tinha algo que prendesse e chamasse atenção, e em alguns momentos Indira parecia ser a protagonista.

Todos os personagens mencionados nessa história são reais, bem como a história deles, apesar de algumas partes serem  romanceadas, uma vez que o autor escreveu a história baseando-se em pesquisas e entrevistas com amigos, e não diretamente com os mencionados, mas mesmo assim achei todos os personagens extremamente bem caracterizados e bem descritos, a ponto de sentirmos que os conhecemos intimamente ao final do livro. Quem me chamou mais atenção e me cativou foi Rajiv, marido de Sonia, um filho da índia que tinha apenas o sonho de ser um homem normal, mas por suas raízes e tradições foi obrigado a entrar na política, sem ter vontade. Outra personagem que chama atenção, mas que achei contraditória, foi Indira Ghandi, a mãe de Rajiv e sogra de Sonia, que ao mesmo tempo que queria o bem de seu povo, em alguns momentos teve atitudes incompreensíveis quando estava encarregada de zelar por eles e por seu bem estar.

O livro é dividido em 50 capítulos, acrescidos de epílogo, caderno de imagens, e bibliografia. A narração foi feita em terceira pessoa e realizei a leitura em ebook, e não encontrei erros.
Recomendo essa obra para os leitores que gostam de livros históricos, bem como para aqueles que se interessam por conhecer novas culturas e a história de pessoas reais que de alguma forma tocaram, profundamente, por muitas gerações, todos  aqueles que vivem ou viveram ao seu redor.

14 comentários:

  1. Olá
    Eu nao conhecia esse titulo, mas fiquei bem interessada depois de ler seus comentários e a premissa parece ser ótima. Achei a capa bem bonita e fiquei bem curiosa quanto ao desenvolvimento, seja pela parte da ambientação quanto personagens, entre outras características. É um gênero que chama muito a minha atenção, um dos que eu leio com frequência na verdade, e pelo que pude compreender por aqui, os elementos são ótimos, especialmente por conta do realismo dos personagens mencionados e de suas histórias. Espero poder ler em breve, e obrigada pela indicação!
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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  2. Oi Tamara,
    São tantos livros que acabamos nos perdendo, me perguntando como nunca soube desse até agora.
    Amei o enredo e principalmente a ambientação. Só li sobre a indica naquela série dos Tigres e por ser fantasia muita coisa da sociedade ficou de lado e deu espaço a mitologia. Acho que esse livro é uma ótima pedida para conhecermos de uma outra forma essa construção social da Índia. Só me doí q questão de ser real misturado com ficção.
    Alguns livros assim me deixam aflitas em querer saber o que realmente foi verdade e o que foi criação do autor. Mas com certeza a dica está anotada.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  3. Oi, Tamara!
    Nunca tinha ouvido falar desse livro.
    Além do livro entreter, também tem seu lado cultura. Achei fascinante essas combinação, apesar do livro não ter me chamado atenção. Essas tantas descrições políticas que você mencionou não me atraíram. :/
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  4. Amo livros que trazem um anova cultura, tradições tão diferentes da minha e ainda assim, o amor com um dos plots principais. Li um livro do autor e gostei muito da escrita dele, então acredito que este livro aqui, sera uma ótima leitura pra mim.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  5. Oie! Tudo bem? Eu para falar a verdade a unica coisa que me chamou a atenção nesse livro, foi exatamente o que você disse: conhecer um pouco mais da cultura da Índia, mas de resto não foi um livro que tenha me instigado a leitura!
    Bjss

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  6. Olá!
    Menina eu amei esse livro, aprendi muito sobre a India , seus costumes, religião, política enfim me encantei com Neruda e a Sonya que mulher incrível. Amei ler essa resenha aqui.
    Bjs

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  7. Oie, gostei bastante da premissa do livro, ainda mais por se passar na India, ainda não conheço o autor, mas fiquei curiosa para conhecer.

    bjs jany

    www.leituraentreamigas.com.br

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  8. Oi.

    Nunca tinha visto esse livro da editora, mas gostei bastante da premissa. Adoro livro históricos, que me permite conhecer novas culturas. Gosto muito da cultura Indiana, e adoraria ler esse livro. Vou adicionar a lista no Skoob e tentar ler em breve.

    Beijos;

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  9. Adorei sua resenha, está complétissima, acho a índia um país fascinante, e essa parte politica que te irritou um pouco confesso que iria me interessar muito, pois sou maluca pela cultura da india, seja a politicia, os costumes, a religião, tudo relacionado a esse país me deixa sedenta de curiosidade, então amei a dica.

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  10. Oiee Tamara ^^
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas saber que a história é verídica (apesar de romantizada, como você mencionou), me deixou curiosa. Eu tenho muita vontade de viajar para a Índia e de conhecer tanto o país quanto sua cultura, então, saber que o livro traz muita coisa a respeito de ambos me deixou curiosa. Mas é uma pena que tenha deixado a desejar :/
    MilkMilks ♥

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  11. Oieee...
    Gostei bastante da premissa desse livro, principalmente por envolver uma história de amor entre pessoas de culturas tão diferentes quanto a italiana e a indiana.
    Além disso, acredito que o contexto do sistema político indiano deve trazer à história um algo a mais, que me fez ficar mais interessada ainda.
    O fato de ser baseado em fatos e personagens reais também me atraiu bastante.
    Colocando na minha listinha! rs
    Um beijo!!

    www.asmeninasqueleemlivros.com

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  12. Já li outro livro do Javier que é Paixão India e eu simplesmente amo como ele consegue abordar temas da cultura indiana de maneira única. Quero muito ler esse livro em breve também.Beijos

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  13. Oi Tamara, tudo bem?
    Não conhecia o Javier até então. O livro parece ser uma ótima leitura e só em conhecer uma cultura nova, que é a cultura indiana, me traria uma enorme satisfação. Você falou tão bem do livro que fiquei bem curioso para lê-lo.

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  14. Tudo que você falou na descrição da resenha me chamou a atenção, mas o que fiquei intrigada foi essa diferença cultural. Já é dificil relacionar-se com uma pessoa da mesma cultura, imagina ela sendo diferente? Como vc citou, o enredo é fascinante e isso me deixa intrigada. O que mais quero saber é o final.
    Bjs

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