03 maio 2017

[Resenha] Dois a Dois - Por Nicholas Sparks



Título: Dois a Dois
Autor (a): Nicholas Sparks
Páginas: 512
Editora: Arqueiro
Skoob || Encontre

Sinopse: Com uma carreira bem-sucedida, uma linda esposa e uma adorável filha de 6 anos, Russell Green tem uma vida de dar inveja. Ele está tão certo de que essa paz reinará para sempre que não percebe quando a situação começa a sair dos trilhos.
Em questão de meses, Russ perde o emprego e a confiança da esposa, que se afasta dele e se vê obrigada a voltar a trabalhar. Precisando lutar para se adaptar a uma nova realidade, ele se desdobra para cuidar da filhinha, London, e começa a reinventar a vida profissional e afetiva – e a se abrir para antigas e novas emoções.
Lançando-se nesse universo desconhecido, Russ embarca com London numa jornada ao mesmo tempo assustadora e gratificante, que testará suas habilidades e seu equilíbrio emocional além do que ele poderia ter imaginado.
Em Dois a dois, Nicholas Sparks conta a história de um homem que precisa se redescobrir e buscar qualidades que nem desconfiava possuir para lutar pelo que é mais importante na vida: aqueles que amamos.


"Lembro-me de sussurrar que era seu pai, que estaria sempre por perto quando ela precisasse. Então, como se entendesse exatamente o que eu estava falando, ela fez cocô, se contorceu e começou a chorar. No final, acabei devolvendo-a para Vivian."

Beirando os 30 anos de idade, Russell Green é um homem repleto de motivos para se considerar feliz e realizado, ou quase isso. Pelo menos, é nisso que ele costuma acreditar. Casado com a mulher que adora, pai recentemente de uma linda menininha, London, parte de uma família da qual recebe todo apoio e do tipo que podemos chamar de família unida, apesar das diferenças que possuem entre si. Típica mãe preocupada, protetora; pai sério, fechado, mas capaz de tudo para ver a felicidade dos filhos; uma irmã mais velha, Marge, perita em dizer exatamente o que pensa, ainda que isso não seja a melhor coisa para alguém ouvir e que, talvez por isso mesmo, seja sua confidente e melhor amiga.

"Afinal de contas, se eu fosse sábio, teria escutado Marge lá no verão de 2007, quando ela me levou ao cemitério onde nossos avós estão enterrados e perguntou se eu tinha certeza absoluta de querer me casar com Vivian.
Se eu fosse sábio, teria ouvido meu pai quando ele perguntou se eu tinha certeza de que queria trabalhar como autônomo e abrir minha própria agência de publicidade aos 35 anos.
Se eu fosse sábio, teria dado ouvidos à minha mãe quando ela me aconselhou a passar o máximo de tempo que pudesse com London, pois crianças crescem muito depressa e você nunca consegue recuperar os anos perdidos."

A única área de sua vida com a qual Russell realmente não está satisfeito, apesar de fingir o contrário, é a profissional, já que seu antigo sonho de abrir sua própria agência de publicidade vem sendo adiado por tantos anos e, enquanto isso, ele tem de lidar com um chefe que parece não fazer muita questão de permitir que sua vida dentro da empresa seja tranquila e simples. Mas tudo bem. Afinal, ainda que as coisas não fossem maravilhosas em seu trabalho, ele estava atuando na área que escolhera e vivia cercado pelas pessoas que amava.

"– Falou com quem sobre o quê? – perguntei.
– Com Rob – respondeu ela, referindo-se a seu chefe na empresa de comunicação onde trabalhava. – Avisei oficialmente que não vou voltar quando a licença-maternidade acabar.
– Ah – falei, e senti o mesmo espasmo de terror de quando vira o resultado positivo do teste de gravidez.
Vivian ganhava quase tanto quanto eu, e sem a renda dela eu não tinha certeza se conseguiríamos manter o padrão de vida.
– Ele disse que a porta estaria sempre aberta caso eu mudasse de ideia – acrescentou ela. – Mas argumentei que não queria que London fosse criada por estranhos. Se não for assim, para que ter um filho?
– Não precisa me convencer – comentei, esforçando-me ao máximo para disfarçar meus sentimentos. – Estou do seu lado. – Bom, pelo menos parte de mim estava. – Mas você sabe que isso significa que a gente não vai mais poder sair tanto para jantar e também que vamos cortar uns gastos supérfluos, não sabe?
– Sei."

Porém, a certeza de que tudo estava em seu devido lugar começa a se esvair dele quando, após o nascimento da primeira e única filha do casal, sua esposa, Vivian, decide largar o emprego para cuidar da criança. O problema é que, acostumada à uma vida relativamente luxuosa, cheia de mimos caros para a casa e para si mesma, Vivian está disposta a abandonar seu trabalho, mas não seus antigos hábitos. Além disso, alguns meses como mãe e dona de casa tornam-na uma pessoa distante e muitas vezes fria no casamento, ainda mais compulsiva por compras, alguém cujo mau humor é constante e que parece não se importar mais com coisas como as tarefas quotidianas do lar, por exemplo, os sonhos e planos do marido também vão sendo deixados de lado por ela. Russell, por sua vez, típico homem romântico que gosta de mandar flores, cafés da manhã na cama e bilhetinhos carinhosos, insiste em fazer de tudo para agradar sua mulher e mantê-la nos padrões de vida com os quais está acostumada, ainda que, com apenas sua renda isso tenha se tornado quase impossível.

"– Temos dinheiro guardado, não temos?
– Sim, mas é nosso fundo de reserva. Em caso de emergência.
– Tudo bem – disse ela, e ouvi a decepção na sua voz. – Foi só uma ideia.
Observei-a dobrar cuidadosamente o canto da página para poder encontrar a foto depois e me senti um fracasso. Detestava decepcioná-la."

Russell vê sua vida desmoronar de vez quando perde o emprego. Desorientado, resolve correr atrás de seu desejo de toda a vida, abrir seu próprio negócio, decisão que, ao menos de início, parecera-lhe um tanto errada e que causara ainda mais indiferença de sua esposa em relação a ele, como se o desprezasse. De repente, a mulher que outrora o amara parecia não existir mais. Tornara-se irreconhecível, constantemente arranjando motivos para brigar e pretextos para afastar-se dele e da casa onde viviam. Perdido, Russell embarca na tarefa que talvez tenha sido a mais difícil e mais importante de sua vida: tomar conta da filha de seis anos, mas não só isso. Compreender e conhecer melhor a garotinha esperta e amorosa com quem ele pouco convivera até então, não porque fosse um pai ausente, mas porque normalmente estava trabalhando enquanto a mãe é quem estava sempre presente. Com a ajuda da família e de alguém de seu passado cujo destino aproximou dele novamente, principalmente com muito esforço e todo amor de pai, ele teve que descobrir como cuidar de sua filha, sua casa e seu complicado trabalho recém iniciado, enquanto lidava com suas próprias cicatrizes internas.






O livro é escrito em primeira pessoa, narrado por Russell, o personagem principal. Dividido em 26 capítulos fora o epílogo.

A história de Russ me fez refletir muito sobre coisas que não dão certo na vida e, às vezes, não é porque fomos insuficientes ou deixamos de fazer tudo o que podíamos por elas. Às vezes é só porque não era para ser, porque não dependia só da gente. Ela também me fez pensar em como vale a pena, sim, dar o melhor de nós pelas pessoas que amamos e tentar, tentar sempre por elas, ainda que não possamos ter a certeza do resultado final.

Foi um livro que me encantou e emocionou em cada página em que retratava, sutilmente, a aproximação entre pai e filha. O amor que naturalmente já existia entre ambos, mas que nós observamos se fortalecer em cada descoberta que um fazia a respeito do outro, cada situação embaraçosa da qual eles aprendiam, lado a lado, como sair.

Em relação aos personagens, confesso que adquiri uma paixão especial pela pequena London. Sua personalidade curiosa e carismática com certeza conquistará o coração de todos os loucos por crianças, feito eu. Eu não poderia deixar de comentar sobre Russell, claro, o tipo de protagonista com quem a gente consegue se imaginar casando e tendo como melhor amigo. É lindo ver ele tentando, mesmo com tudo parecendo desabar a sua volta e com seu jeito meio desajeitado, mas tentando, buscando fazer o melhor por si mesmo e pelas pessoas que o cercam. Tanto ele quanto London me despertaram um imenso carinho.

A amizade de Russ e Marge foi outra parte que considerei encantadora na história. A maneira como cuidam um do outro e defendem um ao outro, a fidelidade entre eles é palpável e me fez lembrar, o tempo todo, de como é especial ter esse tipo de ligação com alguém. O pai deles, apesar de sua personalidade calada e que talvez alguns possam achar seca, foi alguém que no desenrolar do livro me cativou muito também. Diferentemente do filho, ele não sabe ou não costuma demonstrar sentimentos, mas de alguma forma sempre os deixa escapar mostrando que, mesmo que não sejam representados com palavras bonitas ou gestos grandiosos, eles existem. Estão ali.

Particularmente, eu não encontrei pontos negativos a serem destacados no livro, a não ser que possamos considerar uma das personagens como ponto negativo. Vivian, com seu jeito egoísta e suas oscilações frequentes de humor me deixou irritada a cada capítulo. Por mais fofo que eu tenha achado o Russell, admito que a insistência dele em agradar Vivian mesmo quando ela claramente não merecia, me frustrou um pouco. Não que eu tenha deixado de gostar dele por isso ou coisa assim, mas em determinados momentos senti vontade de sacudi-lo até ele parar, entender que não precisava daquilo.

Tratando-se de pontos positivos, além de todo o carisma dos personagens citados a cima e toda a emoção transmitida no enredo, Dois a Dois me surpreendeu fortemente em vários aspectos. Não apenas nos que se referem aos acontecimentos inesperados, porque sim ele é um livro cheio deles, mas especialmente pela maneira com que o autor conduziu a história. Ao contrário do que pude notar em seus outros livros, esse aborda questões muito mais familiares do que românticas. Ele possui, sim, sua pitada de romance, mas pende mais para o lado relação em família, o que eu achei simplesmente incrível. Se antes ele era um dos meus escritores queridinhos de romances, hoje eu o enxergo como um escritor queridinho de qualquer que seja o tipo de amor.

13 comentários:

  1. Ola
    Eu também li esse livro recentemente e gostei bastante da dramática. também me surpreendeu, assim como você, não saberia citar pontos negativos. Por mais que não curta muito o estilo do autor, é inegável que ele escreve muito bem e merece todo o reconhecimento por conta disso.
    Beijos, F

    ResponderExcluir
  2. Olá, tudo bem?
    Ainda não li este livro, mas fiquei feliz ao saber que é mais familiar que romance. Não gosto muito do estilo dos livros do autor, por isso acho que não leria. Mas mesmo assim, a história me chamou atenção, deve ser intenso acompanhar por tudo que a família passa. Gostei muito da sua resenha!
    Beijos.

    ResponderExcluir
  3. Oi!
    Eu fiquei muito receosa em ler esse livro, pois vi várias avaliações ruins na gringa, por isso até hoje não me arrisquei.
    Mas vendo sua resenha aqui já mudei de ideia, quero o livro pra ontem, pois pelo jeito é uma bela história sim, uma história sobre família, sobre erros e perdas e tenho certeza que vou amar

    ResponderExcluir
  4. Oi Isabella, eu gosto muito do Sparks e tenho todos os livros dele, embora não tenha lido todos. Este aqui está na fila para ser lido e acho essa capa master fofa. Estou curiosa com a história e espero apreciá-la. Gostei dos seus elogios.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Oii! :)

    Eu adoro o autor e fiquei bem curiosa com esse lançamento, achei bem legal as partes que destacou principalmente por não ser somente romance como muitos outros livros dele, é legal que ele retratou mas o relacionamento familiar.

    Adorei a sua resenha , agora quero ainda mais ler o livro e conhecer o Russel!

    Beijos
    Jess
    www.pintandoasletras.com.br

    ResponderExcluir
  6. Eu não curto o autor, até hoje só gostei de um livro dele, então eu meio que desisti. Hahaha
    Mas esse livro tem uma pegada bem diferente da fórmula que ele sempre utiliza. O que mais me chama atenção são as relações familiares, já que livros assim sempre são boas leituras para mim. Acredito que eu iria gostar muito do desenvolvimento da relação entre pai e filha... vamos ver se leio ele.

    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Olá.
    Estou louca pra ler esse livro desde que li a sinopse, e não só porque é escrito por um dos meus autores favoritos da vida, mas também porque me identifico muito com a Vivian.
    Depois do nascimento do meu segundo filho, decidi parar de trabalhar e me dedicar a casa e aos meu pequenos. Acontece que eu não estava preparada pra isso, pois nunca fui do tipo caseira e a consequência foi uma terrível crise depressiva.
    Acho que todo casal deveria conhecer essa história, afinal a vida a dois não é fácil e nem sempre apenas o amor basta, ainda mais quando envolve filhos.
    Amei a resenha e agora estou ainda mais curiosa pra conhecer a obra.

    Uma Mãe Leitora

    ResponderExcluir
  8. Oi, tudo bem?
    Nunca li nada do Nicholas Sparks, as histórias nunca me chamam muita atenção, até porque não sou fã de romances. Mas como esse livro não tem uma pegada mais para esse lado romântico, fiquei curioso em ler. Parece uma boa história. Li poucos livros sobre família em si e gostei. Adorei sua resenha.
    Até mais o/

    ResponderExcluir
  9. Oiee Isabela ^^
    Já faz um tempinho que perdi a vontade de ler os livros do Nicholas. No dia em que ele escrever um romance LGBT eu juro que leio...haha' se não for assim, acho que nada me fisga. Claro, como você disse esse livro pende mais para relações familiares do que românticas, mas, ainda assim, não me chama a atenção :/
    MilkMilks ♥

    ResponderExcluir
  10. Oi Isa!
    Ainda estou na metade desse livro, e estou querendo uma morte para um personagem. Tenho um pouco de medo do que vai acontecer no final, até porque o Nicholas adora arrancar algumas lágrimas dos seus leitores.
    Adorei sua resenha

    ResponderExcluir
  11. Eu estou louca para comprar este livro do Nicholas .Mas ando medrosa depois que li uma carteira de amor dele rsrs
    Amei tua resenha
    É nas dificuldades que descobrimos as melhores coisas as melhores oportunidades!
    Basta aprendermos a enxergar melhor!
    O amor de russel pela londonn pelo visto parece ser relamente incrível
    Acho que para o homem mesmo no dia de hoje ficar desempregado e mesmo tentando não conseguir.deve ter um peso muito duro quando se tem uam família!
    Espero fazer esta leitura o quanto antes!
    Mesmo com medo que alguém morra 😉🤗

    ResponderExcluir
  12. Embora tenha quase todos os livros do Sparks fiquei super na dúvida se solicitava esse livro ou não para resenha. Acabei deixando ele de lado, e incluindo na lista de compras por ter ficado com um certo receio de como seria essa história. Acho que eu estou um pouco cansada dos romances do autor, então ver que os personagens são cativantes e o amor maior é em relação familiar me fez ficar com vontade de ler. Me parece que esse livro tem um gás novo e que possa me empolgar a voltar a ler as obras dele. Adorei saber disso ;)
    Beijinhos,
    Lica

    ResponderExcluir
  13. Olá, Isabela!
    Tenho alguns livros do Nicholas que ganhei, mas nunca me senti atraída pela história de nenhum deles, e com esse também não foi diferente. Boa parte do tempo leio fantasias e aventuras, e quando me interesso por romances são daqueles que mostrem-se com um diferencial, algo que prenda o leitor, e leve-o a suspirar e se envolver. Mas fico feliz que tenha gostado do livro, e pelas suas impressões, devo confessar que fiquei bem incomodada com Vivian, ainda mais quando Russell se mostrou aparentemente lá, firme e forte.
    Obrigada pela dica!
    Beijos

    ResponderExcluir