05 maio 2017

[Resenha] A livraria mágica de Paris - Por Nina George



Título: A livraria mágica de Paris
Autor (a): Nina George
Páginas: 308
Editora: Record
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Sinopse: O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta — que Perdu não teve coragem de ler. Até um determinado verão — o verão que muda tudo e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos. Sucesso de público e crítica, repleto de momentos deliciosos e salpicado com uma boa dose de aventura, A livraria mágica de Paris é uma carta de amor aos livros — perfeito para quem acredita no poder que as histórias têm de influenciar nossas vidas.


"O livreiro não sabia o que poderia ser mais prático que um livro. Mas prometeu dar uma mesa à nova inquilina. Afinal, tinha mesmo uma sobrando."

Jean Perdu era um homem de meia idade que há vinte anos possuía um barco livraria, que também fazia as vezes de farmácia, uma vez que a cada cliente que entrava lá, Monsieur perdu não vendia apenas um livro, ele sentia dentro de si qual seria o livro mais adequado para aquela pessoa, e lhe recomendava, muitas vezes negando-se a vender o que o cliente pedira inicialmente, e insistindo para que este levasse a sua recomendação. Essas recomendações sempre funcionavam, e mais tarde, os clientes que antes haviam saído do barco-livraria furiosos por aquele homem maluco ter-lhes imposto um livro, voltavam, agradecidos por terem se identificado com tal obra. Porém, Perdu não conseguia descobrir uma receita que curaria os sofrimentos de sua alma, tão castigada e magoada após a partida, com apenas um bilhete de despedida, de um grande amor que ele tivera no passado e que jamais conseguiu esquecer.

"Limpou, lavou, esfregou e ignorou a pergunta incômoda sobre como seriam as coisas agora, depois de ter aberto a porta do quarto onde todo o seu amor, todos os seus sonhos e seu passado haviam sido enterrados.
Memórias são como lobos. Não se pode encarcerá-las e esperar que deixem você em paz."

O homem vivera vinte e um anos com todos os seus sofrimentos, até o dia em que uma nova mulher chega ao prédio onde Perdu mora. A zeladora do local, bastante solícita, sai em busca dos vizinhos, pedindo que ajudem a mulher com algo para sua casa, uma vez que ela chegou sem Nada. Então, Perdu resolve doar uma mesa que não usava a muito tempo, porém, para isso, precisa abrir o quartinho que estava fechado há 21 anos, o lugar que trazia muitas lembranças da mulher que ele amara. Ao entregar a mesa para Katherine, a nova vizinha, ela encontra uma carta, esquecida em uma gaveta do móvel, que tem um grande significado para Perdu, e que pode finalmente ser o começo da receita da cura de sua alma.

"— Com todo respeito, o que a senhora lê é mais importante, a longo prazo, do que o homem com quem se casará, ma chère Madame."

Através de personagens peculiares, um cenário envolvente e uma história cheia de pecinhas, que formam um grande quebra cabeça,  aos poucos, conhecemos a história de um homem apaixonado por livros, que tem muita  saudade de um grande amor e nos mostra como é possível reconstruirmos nossas vidas.

"— Eu sempre me perguntei por que as pessoas não escrevem mais livros sobre viver. Morrer, qualquer um consegue. Agora, viver?
— A senhora tem razão, madame. Há tanta coisa a se escrever sobre viver. Viver com livros, viver com crianças, viver para principiantes."




A livraria mágica de Paris foi um daqueles livros que me tirou o sossego, literalmente falando, pois ele foi lançado em outubro de 2016, e, como tenho deficiência visual e só leio ebooks, logo fiquei ávida pelo ebook dele, que não foi lançado junto com o livro físico.  Conforme os meses passavam, mais agoniada eu me sentia, a ponto de conferir diariamente na amazon se o ebook havia saído, e ele se tornou a minha pedra no sapato, e eu sentia que precisava lê-lo. Até que muito tempo depois, em abril deste ano, o livro digital foi lançado e pude finalmente adquiri-lo. Confesso que assim que o tive em mãos, iniciei a leitura, e aos poucos  percebi que depositei muitas expectativas em cima da obra. De certa maneira, eu esperava algo que trouxesse infinitas referências a livros, ao ato de ler, mas isso não foi tão frequente assim, embora seja uma obra que traz citações lindíssimas, tanto que destaquei muitas, mas também foi uma obra que falou muito de sofrimento, tristezas, redenção, e passado.

O ponto mais positivo para mim foi a história do personagem, que nos é apresentada aos poucos, e que quebra várias convicções que ele, e que nós leitores, adquirimos, a partir do que descobrimos sobre a mulher que foi o grande amor de Perdu, pois começamos imaginando algo sobre ela, e terminamos surpreendidos. Além disso, os momentos que falam de livros e leitura, bem como algumas referências que aparecem foram deliciosas, e me deixaram ávida por mais, e destaquei uma imensidão de citações que certamente levarei para a vida. Ainda, gostei da forma como tudo foi se encaixando, e fui de certa forma surpreendida pelo final, que foi bonito, e deixou um tom de nostalgia. Aliás, falando em nostalgia, o tempo todo durante a obra, senti esse tom, e ele não é um livro cheio de ação, cheio de acontecimentos surpreendentes, e na verdade eu diria que ele é uma obra um tanto melancólica, que fala sobre segundas chances, sobre nossa vontade de em muitos momentos voltarmos atrás e agirmos de forma diferente perante a uma situação, sobre a maturidade que o tempo nos traz e sobre não exigirmos a perfeição do outro, quando sequer nós somos perfeitos.

Porém, como mencionado, talvez eu tenha depositado um tanto de expectativas demais em cima da história, e não esperava alguns momentos de aventura que surgiram no meio da obra, e como aventura não é um gênero que me atrai, foi uma parte do livro bastante arrastada para mim, e a peculiaridade que reconheci nos personagens nesses momentos me desagradou um pouco, mas essas partes arrastadas surgiram apenas no meio do livro, e logo desapareceram, deixando mais uma vez lugar para uma história bela e tocante.

Os personagens mais atraentes para mim foram Perdu, o livreiro, que inicialmente me pareceu bastante esquisito, mas aos poucos fui me afeiçoando a ele e entendendo todos os seus motivos e tristezas de ser como era. Também, fui muito tocada por Katherine, a nova vizinha, que mesmo sem saber e sem querer, causa uma imensa revolução na vida de Perdu. Ainda, Luc, um personagem que surge mais a diante na obra me tocou bastante, por seu amor incondicional e por seus bons exemplos.
A narração da obra é feita em terceira pessoa, é dividida em capítulos curtos, e durante a leitura não encontrei erros.

Recomendo a obra para os amantes dos livros, e para todos aqueles que amam lindas histórias, carregadas de melancolia, reflexão e que ao final, nos deixam com a sensação de já conhecermos há muito tempo os personagens mencionados. E também, deixo a baixo alguns quots lindos retirados dessa obra.

"— Livros não são como ovos. Só porque um livro tem alguns anos nas costas não significa que esteja podre. — Monsieur Perdu também elevou o tom de voz. — E o que há de errado em ser velho? Velhice não é doença. Todos envelhecemos, e os livros também. Teria a senhora, ou qualquer pessoa, menor valor, ou seria menos importante, só porque está há mais tempo no mundo?"

"— Livros nos protegem da burrice. De falsas esperanças. De homens vaidosos. Despem a senhora com amor, força e conhecimento. São o amor que vem de dentro. Tome a sua decisão: livros ou…"

"Perdu queria que Anna se sentisse em um ninho. Que tivesse consciência da imensidão que os livros ofereciam. Sempre haveria o bastante ali. Eles nunca parariam de amar um leitor, uma leitora. Eram o que havia de mais confiável em tudo que era imprevisível. Na vida. No amor. Após a morte."

"Ler é uma viagem sem fim. Uma viagem longa, até mesmo eterna, na qual nos tornamos mais brandos, mais carinhosos e mais humanos."

"Devia ser uma obrigação que os governantes do mundo fizessem carteiras de habilitação para leitores. Apenas quando lessem cinco… não, melhor, dez mil livros, estariam próximos da condição de entender a humanidade e seus comportamentos. Eu sempre me sinto melhor, menos… malvada, falsa e infiel, quando Jean lê para mim coisas nas quais pessoas boas fazem coisas ruins por amor, necessidade ou por fome de viver."

"Chama os livros de liberdades. E de lares, o que também são. Eles protegem todas as palavras boas que utilizamos tão raramente."

16 comentários:

  1. Oi Tamara,
    Entendo sua frustração, porque até eu pensava que a história seguiria esse caminho de diversas referências, mas pela sua resenha, acabei me afeiçoando a Perdu e fiquei curiosa para saber como esse romance inacabado termina para ele.
    Bjim!
    Tammy

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  2. Oi Tamara!
    Quando soube desse livro fiquei encantada com a sinopse mas mesmo com a vontade de o ler acabei esquecendo dele e fiquei muito feliz quando vi a sua resenha, que me lembrou dessa vontade e a aumentou pelas coisas que você descreveu. A trama parece ser linda e me encantei pelo protagonista e pelo seu barco livraria, que parece ser a melhor parte do livro.
    Beijos!

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  3. Eu me preocupo muito quando crio grandes expectativas para uma obra exatamente por causa do que aconteceu com você nesse livro: algumas surpresas no caminho podem acabar gerando mais decepção do que alegria.
    Eu gostei da ideia base para o livro, mas fora isso acabei não animando muito.

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  4. Oi
    Primeiramente parabéns pela resenha
    Que chato sua frustração,mesmo assim despertou minha curiosidade em ler essa obra,quero muito poder entende- melhor,não que eu não tenha entendido mas como terminar,adorei o blog um beijo.

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  5. Você pareceu gostar muito dos personagens, e é sempre assim,muita expectativa em um livro realmente não funciona, vive acontecendo isso comigo,mas realmente não aprendo!
    A premissa da história me pareceu muito interessante,mas é difícil dizer se eu leria com certeza.

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  6. Oi
    Que livro bem cativante!
    Amei a resenha e fiquei muito motivada para fazer a leitura dessa obra. Parece ser aquele tipo de livro, que além de transmitir uma bonita mensagem, ficam gravados na memoria e no coração, por muito tempo.

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  7. Uau,gostei desse livro e ainda nem o li rsrs A sua resenha foi tão minuciosa e repleta de carinho por essa obra que é impossível de não querer lê-la. Com certeza vou seguir sua indicação e vou lê-lo. Gosto de enredos bonitos e que levam à auto-reflexão.
    |amorlivresco.wordpress.com|

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  8. Olá,

    Ao contrário de você, quando esse livro foi lançando não dei a mínima. A história não tinha conseguido chamar minha atenção, só que aí eu ganhei o cartão postal do livro e fui pesquisar mais sobre a obra. Saber que o livro tem uma pegada mais reflexiva me anima muito, pois adoro livros que me fazem pensar. Dica anotada!

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  9. Tâmara que linda tua resenha!É ruim quando desejamos tento fazer uma leitura e não conseguimos no momento rsrs.acgo que está agonia de aguardar que deve ter aumentado tuas espectativas por ele.pena que não foi da maneira que vc esperava.mas muito bom saber que vc gostou mesmo assim e não se tornou em algo muito ruim.
    Os quotes são maravilhosos nos fazem querer ler o livro

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  10. Olá Tamara,
    Infelizmente não curti a premissa do livro, mesmo o título sendo chamativo. A capa não chama a minha atenção e lendo o enredo apresentado, não me senti cativada a ler não... de qualquer forma, parece uma história simples e suave... que tem sua intensidade, mas que parece que deixa o leitor tranquilo no decorrer da leitura. Eu curti a forma com que resenhou o livro e apesar de algumas ressalvas a história fluiu pra ti. Xero!

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  11. Oi, Tamara.
    Você falou sobre livro com referências e que falasse sobre literatura. Estou lendo um livro assim, se chama Agora e na hora.
    Estou adorando!! Conta a história de um escritor que, por ser ignorado pela crítica, decide escrever um último livro e se matar em seguida. Mas ele acaba descobrindo uma doença que o matará e aí perde o controle da sua própria morte. É um romance, mas também é conto... Começamos lendo os contos que esse escritor escreveu, todos sobre morte e alguns fazem muitas referências e escritores e livros. O primeiro, em particular, é sobre o amor aos livros.
    Depois entra a parte do romance, onde o autor conta um pouco da sua história e do processo de escrita, digamos assim. Estou adorando!! Farei resenha dele pro blog em breve :)


    ourbravenewblog.weebly.com

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  12. Olá!
    Já tinha ouvido falar sobre esse livro antes, mas ao contrário de você não criei expectativa nenhuma. Essa parte da aventura me chamou muito a atenção porque seria o oposto comigo, deixaria a leitura ainda mais fluída, já que gosto muito desse gênero. Confesso que não curti a capa, acho que não passa a mensagem certa do livro.
    Beijos.

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  13. Olá, tudo bem? Primeiro, cara senti a sua agonia a espera de um livro ser lançado em e-book. É um tipo de leitura que ao meu ver as editoras deviam apostar mais, e deixam MUITO a desejar. Segundo que para mim a capa passava outra informação de história e fiquei chocada em saber que ela é um enredo emocionante. Confesso que sou mega fã de aventuras (fã de fantasia) então acho que as partes que mais me encantariam seriam estas, mas mesmo assim a trama não é algo que leia muito, ou quase não leia. Não se arriscaria nesse momento a leitura, porém isso não tira o mérito da sua ótima resenha!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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  14. Oiii. tudo bem?
    Eu não conhecia o livro, mas só de ler o título já me apaixonei. Quando li a resenha então...
    dica anotada!
    Bjoo

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  15. Oi, Tamara!
    Já tinha lido algo sobre o livro, mas nenhuma resenha. Achei a história bacana, e pelo tom com que você narrou a resenha, deve mesmo pender para a melancolia e nostalgia, mesmo tendo aventura no meio do caminho. Interessante que você esperava mais sobre livros e leitura dentro do enredo, só que cada citação escolhida por você fala justamente disso, então... como assim, mais? rsrsrs... Mesmo não tendo toda aquela expectativa depositada, parece que você gostou da leitura. Vou dar uma olhada para tecer minha própria opinião sobre ela. bj!

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  16. Meu gosto já é diferente, não curto tanto drama, mas acho que eu leria esse livro, parece ser daqueles que deixam a gente pensando por muito tempo depois de ler. Dica anotada :D

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