19 maio 2017

[Resenha] Melodia mortal - Por Pedro Bandeira



Título: Melodia Mortal
Autor (a): Pedro Bandeira e Guido Carlos levi
Páginas: 240
Editora: Rocco
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Sinopse: Será que Mozart foi assassinado por Salieri? Tchaikovsky morreu de cólera ou envenenamento? Chopin morreu mesmo tuberculoso? E Beethoven, foi vítima do alcoolismo? A resposta, ou, pelo menos, algumas hipóteses plausíveis para essas perguntas estão em Melodia mortal, estreia na ficção adulta de um dos maiores autores para o público juvenil do país. Escrito a quatro mãos por Pedro Bandeira com o médico Guido Carlos Levi, o livro examina, à luz dos conhecimentos da medicina contemporânea, os indícios possíveis sobre as mortes polêmicas de alguns grandes compositores da música clássica. E quem conduz a investigação é ninguém menos que Sherlock Holmes, auxiliado pelo seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson, que narra as aventuras do detetive na empreitada. Talvez não seja possível, tanto tempo depois, elucidar a causa dessas mortes que a medicina da época não foi capaz de precisar, mas a diversão é garantida neste romance cheio de teorias científicas e enigmas que formam um intricado quebra-cabeça, na tradição da melhor literatura policial.


"Tornei-me conhecido em todo o mundo escrevendo histórias dos outros. Na realidade, de um outro, o meu amigo Sherlock Holmes. Como testemunha, sempre estive presente em suas aventuras, mas é provável que minha figura não tenha sido marcante para os leitores, ofuscado que sempre fui pela imagem do meu biografado. No entanto, se alguém encontrar estes manuscritos, talvez não se importe de conhecer um pouco da vida de quem popularizou o morador que fez famosa a então desconhecida Baker Street, 221B."

Sherloke Holmes foi um dos maiores detetives de todos os tempos e marcou, e marca até hoje, a literatura policial. Ao lado de seu inseparável amigo, doutor Whatson, um médico bastante competente, descobriu casos importantes, desvendou mistérios e se tornou inesquecível. Porém, nem todas as suas aventuras foram registradas em seus livros oficiais, e, algumas delas, foram escritas em pequenos contos, por seu eterno amigo e admirador, doutor Whatson. Alguns desses contos, diziam respeito a gênios da música, como Mozart, Beethoven, Chopin, dentre outros, e que foram homens que tiveram carreiras marcantes, mas, que, também tiveram certo destino em comum: mortes que para Sherloke, pareciam muito suspeitas e que muitas vezes, ele, sendo um admirador da boa música, tentava desvendar.

"– Eu não preciso ter estado presente ao ato de um crime, Watson – explicava-me ele. – Basta que me sejam relatados dois detalhes da ocorrência, ainda que separados e distantes, mesmo que do passado, para que a lógica do meu raciocínio trace a linha reta que unirá esses dois pontos e me apontará o culpado."

Tais contos sobre os mistérios das mortes dos músicos importantes, foram encontrados por alguns médicos da atualidade, que ficaram empolgados com o achado e por serem fãs fervorosos de Holmes, resolveram reunir-se em uma confraria e a cada reunião, decidiram discutir um dos casos, para tentar chegar a causa mais provável, a partir da medicina,  da morte do discutido da vez. A cada reunião e a cada conto, os médicos conhecem um pouco mais sobre as aventura de Holmes e mais uma vez, confirmam sua genialidade e sua capacidade inigualável de desvendar grandes mistérios que parecem sem solução.

"– Doutores, chegou o momento pelo qual todos esperávamos – continuou o decano da Confraria. – Vamos ouvir o que o relator designado, o doutor Gaetano, tem a nos dizer sobre os aspectos principais do conto Casta diva, cujo enredo discute as causas da morte de Vincenzo Bellini e que todos nós lemos com a maior atenção. Então, diga-nos, caro colega, terá a morte desse grande compositor nos legado um enigma que nossas especialidades possam esclarecer?"

Narrado de forma sucinta, com linguagem acessível e viciante, Melodia mortal traz fatos reais aliados a ficção e nos dá um vislumbre da incrível capacidade detetivesca do inesquecível Sherloke Holmes.

"– Sim, seu dramático desejo foi atendido – continuou o pianista. – Seu coração foi retirado e mergulhado dentro de um frasco cheio de um conservante alcoólico que parece ter sido conhaque. Conhaque, vejam só! Sua irmã Ludwika conseguiu iludir a vigilância dos guardas russos que guardavam as fronteiras da Polônia ocupada e, provavelmente escondendo o frasco sob as saias, conseguiu levá-lo para Varsóvia, onde permanece até hoje na Igreja de Santa Cruz. Somente seu corpo permaneceu em Paris, no cemitério de Pêre-Lachaise, ao lado do túmulo de seu amigo Bellini. E assim a tuberculose nos privou de mais um dos grandes gênios da humanidade. A mesma moléstia que abreviará minha vida!"






Pedro Bandeira é um escritor que embalou parte do início da minha adolescência, com sua eterna e incrível série Os karas, que traz as histórias de um grupo de adolescentes que se envolvem em investigações e também em confusões. Então, assim que descobri que ele lançaria mais um livro, dessa vez com literatura policial adulta, logo me empolguei e resolvi ler. Foi uma experiência deveras positiva, uma vez que através dessa obra curta e de fácil leitura, pude descobrir um pouco sobre o famoso Sherloke Holmes e sobre  seu amigo, doutor Whatson, que são tão comentados na literatura, mas que eu ainda não conhecia. Também, achei genial a presença de todas essas informações a respeito de grandes gênios da música, e sobre suas mortes aparentemente estranhas e  que foram cercadas, por muito tempo por diversas interpretações, a medida que a medicina evoluía.

Porém, confesso que o livro não me agradou de todo, e isso se deve principalmente ao fato de ser uma obra dividida em capítulos, e cada um desses capítulos traz uma situação vivida por Holmes e Whatson, e traz também a análise da confraria dos médicos na atualidade, mas esses capítulos me lembram muito apenas contos, pois não trazem ligação entre si, a não ser o fato de tratarem dos mesmos personagens, mas as situações não possuem ligação, e isso fez com que eu não conseguisse me conectar efetivamente com cada um dos casos que nos foram apresentados, e em alguns momentos, senti que foram narrações muito breves, sem muitos detalhes, e esses detalhes são o que mais me atraem nas obras policiais.

Embora esses pontos negativos tenham atrapalhado minha leitura, também houveram vários pontos muito positivos, e o principal deles é a escrita de Pedro Bandeira e de seu Co autor, Guido Carlos Levi, que é muito boa, acessível e fluída de se acompanhar, trazendo até mesmo o estilo do detetive Holmes. Além disso, conforme já mencionei, achei muito bacana poder conhecer um pouquinho mais sobre as circunstâncias de vida e da morte de grandes homens envolvidos com a música, e através disso, é perceptível a grande pesquisa que o autor teve de fazer para escrever a obra.

Os personagens, Holmes e Whatson, são muito interessantes e gostei de acompanhar sua parceria. Já em relação aos músicos, como estes apareceram de forma bastante rápida em cada um dos contos, não consigo encontrar um de grande destaque para mim. Ainda, os médicos da confraria que discutiam sobre os casos de Holmes e de Whatson são muito bacanas, e eu adoraria ver algum livro com esses personagens sendo protagonistas, e tenho certeza que dali sairiam muitas coisas deliciosas de se ler.

O livro é dividido em oito capítulos, sendo que quando são relatadas as passagens referentes a Whatson, Holmes e seus envolvimentos nos casos, temos a narração em primeira pessoa, feita por Whatson, e quando se trata das reuniões da confraria, a narração é feita em terceira pessoa. A leitura que realizei foi em ebook e não encontrei erros.

Recomendo a obra para todos aqueles que já conhecem a escrita de Pedro Bandeira, pois certamente irão se identificar com seu estilo de leitura e se sentirão saudosos dos livros que embalaram nossas vidas, ou ainda, para  aqueles que nunca tiveram a oportunidade de conhecê-lo, esse é um bom livro por onde começar.




11 comentários:

  1. Oi Tamara, tudo bem?
    Esse foi um livro regado à grandes expectativas. Esperei ansiosamente para começar a ler e achei que seria incrível. O que eu tenho a dizer é: nós não nos conectamos. Na verdade achei chato. Já explico. Talvez eu estivesse com as expectativas altas, talvez eu estivesse com o pensamento lá na série de TV em que Benedict Cumberbatch interpreta brilhantemente o melhor Sherlock que eu já vi… Talvez! Mas em minha defesa eu tentava o tempo todo me desassociar da figura dele, e entender que o formato televisivo tem outras características, e pode ser que pra mim seja o melhor jeito de ver o nosso amado detetive em ação. Porém, foi quase como matar a saudades de um velho amigo, então o livro ganha pontos em me aproximar desse personagem que tanto gosto.
    Beijos.

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  2. Ainda não li nenhum livro da dupla Sherlock Holmes-Dr. Watson e é uma das coisas que pretendo corrigir assim que diminuir minha eterna pilha de espera. E gostei de saber que o livro aborda curiosidade sobre compositores clássicos - adoro Tchaikovsky, então ficaria muito feliz em ler Melodia Mortal. Obrigada pela dica!

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  3. Oii, tudo bem?
    Ainda não li nada do autor, mas só ouço comentários positivos, o que me deixa com bastante vontade de ler. Não curto muito o gênero, apesar de Edgar Allan Poe (meu escritor favorito) e seu personagem, Dupin, terem servido de inspiração para Sherlock Holmes. Gostei de saber sobre a escrita do Pedro Bandeira, é muito bom saber que ele tem uma escrita fluída.
    Infelizmente não faz meu tipo de livro, vou passar a dica, mas vou indicar aos meus amigos.
    Beijos.

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  4. Oi, Tamara!Sua resenha está ótima e esse livro parece ser muito interessante! Eu ainda não li nenhuma obra do Pedro, mas tenho bastante curiosidade de ler os casos que o Holmes e o Watson desvendaram. Gosto muito das obras policiais, pena que os contos não possuíam muitos detalhes na investigação. Mas a obra não deixou de despertar a minha curiosidade haha, a capa está linda. Sua dica está anotada e espero conferir esse livro em breve. Bjss!

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  5. Olá, tudo bem?

    Adorei sua resenha, mas confesso que não fiquei nenhum pouco interessada em ler esse livro. Não me interesso por esse tipo de leitura, sei que não passaria da página 20. Mas é uma boa dica pra quem curte esse tipo de livro.

    Beijos
    Laneh Martins

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  6. Olá, tudo bem? Confesso que o livro foge completamente do que leio normalmente. Apesar de saber e reconhecer o sucesso de Sherloke Holmes e o Pedro Bandeira tem, romance policial nunca foi um gênero atrativo para mim. Que bom que mesmo com pontos negativos, você conseguiu achar pontos positivos. Se ocorre-se de ler, seria só para conhecer a escrita do autor. Ótima e sincera resenha!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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  7. Olá!

    Pedro Bandeira é muito amor! Apesar de eu amar literatura policial, Sherlock é um dos poucos (junto com Poirot) que não sou tão fã, não me sinto conectada a eles, porém, pra quem gosta com certeza vai amar essa leitura. É uma pena que nem todos os capítulos te deixaram tão imersa na trama.

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  8. Oie, tudo bem?! Eu ainda não li o livro mas a sinopse chamou muito a minha atenção. Eu li Pedro Bandeira há muitos anos, minha filha já o leu e acho que de repente a comparação com as obras anteriores possa ter sido um fator determinante para você não gostar do livro, né?! Como eu disse ainda não li, mas prometo que assim que o fizer, volto aqui para trocarmos uma ideia.
    Bjs

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  9. Oi Tamara, sua linda, tudo bem?
    Não sabia que o autor tinha escrito esse livro. Sou fã das histórias de Holmes, mas confesso que a forma como este livro foi desenvolvido me deixou um pouco desanimada. Preciso acreditar na história para me envolver, se você não conseguiu se conectar, acho que também não irei conseguir. Gostei muito da sua resenha sincera, ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  10. Amo Sherlock, mas confesso que não li nada sobre ele. Gosto da série, amei os filmes, mas tenho medo de me decepcionar na leitura! Adorei a maneira que abordou o livro na sua resenha! Bjs

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  11. Oiii!

    Eu já terminei de ver todos os episodios da série Sherlock e eu amo o personagem, só não consegui ler ainda as obras sobre ele.
    Comecei esse livro ontem, porém, li bem pouco dele, então não tenho muito que dizer e comparar ainda... Mas fiquei um pouco chateada em relação a esses capitulos, vamos ver como eu vou me sentir.
    Gostei da sinceridade!

    Beijinhos,

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