16 maio 2017

[Resenha] Mortalha da Lamentação - Tommy Donbavand



Título: Doctor Who: Mortalha da lamentação
Autor (a): Tommy Donbavand
Páginas: 176
Editora: Suma de Letras
Sinopse: 23 de novembro de 1963
É o dia seguinte ao assassinato de John F. Kennedy — e o rosto de pessoas mortas começa a aparecer por toda parte. O guarda Reg Cranfield vê o pai na névoa densa ao longo da estrada Totter Lane. A repórter Mae Callon vê a avó em uma mancha de café na mesa de trabalho. O agente especial do FBI Warren Skeet se depara com seu parceiro falecido há muitos anos olhando para ele através das gotas de chuva no vidro da janela.
Então os rostos começam a falar e gritar. São as Mortalhas, que se alimentam da tristeza alheia, atacando a Terra. Será que o Doutor conseguirá superar o próprio luto para salvar a humanidade?
Uma aventura inédita do Décimo Primeiro Doutor e sua companion Clara Oswald-interpretados na tevê por Matt Smith e Jenna-Louise Coleman.

O senhor do tempo conhecido como Doutor e sua atual companion, Clara Oswald, regressaram de uma complicada aventura que terminou com um estranho e inesperado banho mar intergaláctico.
Teria sido uma volta muito tranquila se a TARDIS não tivesse parado em 23 de novembro de 1963, um dia após o chocante assassinato do presidente John Kennedy, um crime que deixou o mundo inteiro envolto em tristeza. Sentimento esse que faz os rostos de pessoas mortas aparecerem em qualquer lugar que minimamente se pareça com uma mancha ou algo amassado.

"Não que seu pai tivesse qualquer crença em algo relacionado com vida após a morte. Na verdade, ele só ia à igreja na noite de Natal porque tinha prometido à mãe de Reg que continuaria indo depois que ela morresse.
"Se houvesse vida após a morte, eu saberia”, provocava ele. “Sua mãe me perturbava sem parar quando estava viva, e ela com certeza ia voltar dos mortos para fazer a mesma coisa."

Entretanto, o Doutor descobre logo após um embate com essa situação que essas coisas na verdade são uma mortal raça alienígena chamada “mortalha”, cujo alimento é a tristeza, que quanto mais eles consomem, mais poderosos ficam. O senhor do tempo, dono de dois corações que pulsam pelo planeta Terra e seus habitantes, terá de contar somente com Clara, sua companheira de viagens, uma jornalista, Mae Callon e um agente do FBI, Warren Skeet.
Os quatro não poderiam ser mais diferentes, mas precisam se unir por um propósito: salvar o mundo de ser afundado na tristeza. E na destruição.






Novamente na vibe atual da décima temporada da atual “series” da série britânica Doctor Who, trago mais uma resenha de um livro inspirado na série, dessa vez tendo como protagonista o Décimo Primeiro Doutor, que vem a ser o terceiro da série atual, que entrou no ar em 2004.


Imagino que quem vai ler não tem muita ideia do que estou falando, sim? Sugiro que tenham um pouco de paciência, porque primeiro preciso falar desse excelente livro chamado Mortalha da Lamentação. Onde novamente a Suma de Letras se supera na edição com uma capa digna de cartaz de cinema, excelente diagramação, sem falhas de revisão, ótima fonte de leitura e páginas amareladas que contribuem para a eficiência na experiência de ler.

Tão bom quanto Shada, mas não superior, embora o autor, o outrora “Palhaço Bundamole” Tommy Donbavand, tenha com certeza entregue uma trama verdadeiramente digna da série que eu amo e venero com a alma desde tê-la conhecido, há sete anos. Se o Doutor que conhecemos e amamos já se desdobra em cinco quando enfrenta uma gente maligna mesmo sabendo quem eles são, imagina tendo que enfrentar algo que ele sequer tem o nome? Bem, não demora muito para ele saber, mas achar o jeito de enfrentar é que se torna complicado, já que a Terra está passando por um período bem horroroso. Estamos falando do assassinato ao vivo e a cores de um presidente americano. O que você espera?

“O Doutor pegou o pulso de Mae novamente e mostrou a queimadura à dra. Ellison.
— O que você acha disto?
A dra. Ellison tirou os óculos do bolso do jaleco e os colocou no rosto.
— É uma queimadura — disse ela, examinando a marca. — Bem feia, por sinal. — Ela olhou para Mae. — O que foi? Café?
Mae fez que sim com a cabeça.
A dra. Ellison tirou os óculos.
— É, foi o que eu imaginei. Fiz algo parecido no meu braço ano passado.
— É mesmo? — perguntou o Doutor, girando seu estranho instrumento médico na mão livre. — Mas a pergunta é: a sua fazia isto?
Ele emitiu outro pulso de luz verde e começou a puxar o rosto da vovó Betty para fora do braço de Mae outra vez. A queimadura começou a rosnar de raiva.
A dra. Ellison recuou, apavorada.
— O que é isso?
— Isto? — perguntou o Doutor, levantando seu utensílio bizarro. — É uma chave de fenda sônica. Usa ondas sonoras para vibrar um cristal raro que só é encontrado em...
— Não isso — interrompeu a dra. Ellison, apontando para a vovó Betty. — Aquilo!
— Ah, são chamadas de Mortalha — respondeu o Doutor —, mas, fora isso, não tenho a menor ideia. No entanto, sei que ela deve ser escondida imediatamente. Você acha que pode cuidar do ferimento de Mae para mim? Vou fazer o possível para manter Betty sob controle enquanto você trabalha.
Mudando o ajuste da chave de fenda sônica, o Doutor emitiu um pulso atrás do outro no rosto saliente até que um deles teve o efeito desejado: forçou a Mortalha a voltar para o antebraço de Mae.”

Um mundo enlutado, chocado, entristecido, um verdadeiro banquete para as Mortalhas, que não vão pensar duas vezes em fazer a festa. Mesmo que no processo a população inteira do planeta sofra as devastadoras consequências. É nesse sinistro desdobramento que o Doutor precisa mostrar do que é feito, mesmo com os dois corações quebrados por tantos companheiros que ele deixou para trás durante todo o tempo de suas andanças pelo universo. Inclusive a parte em que ele precisa enfrentar literalmente o próprio luto é de fazer a garganta sufocar de agonia porque parece que qualquer coisa pode acontecer.

Eu diria, mesmo não sabendo se a intenção do autor era mesmo essa, que as Mortalhas são uma metáfora para representar os chamados “vampiros psíquicos” mesmo que à primeira vista isso não pareça ter muito a ver. Considerando, entretanto, que os vilões drenam a vontade de viver das vítimas através de imergi-las fundo na tristeza por uma perda, é uma comparação bem plausível. E o combate do Doutor contra elas é uma montanha-russa daquelas bem curvadas em espiral repleta de subidas e descidas que torna impossível largar o livro antes do final. Ainda mais quando o Doutor e seus aliados finalmente encontram a solução, que apesar de parecer a coisa mais simples do mundo, requer um gigantesco planejamento e um timing perfeito para a execução, ou todo mundo se arrisca a perder muito mais do que apenas um dia de trabalho.


A resenha ficou mais curta do que geralmente faço, de novo, mas, odeio dar spoilers, coisa que considero uma falta de respeito séria com futuros leitores. Portanto, deixo mais uma recomendação de um excelente livro inspirado na série Doctor Who e dois sites extremamente confiáveis caso desejem conhecer melhor a série: Universo Who e Doctor Who Brasil. (E eu espero de coração que vocês queiram.)

Até a próxima, com mais uma publicação whovian, também da Suma de Letras.

12 comentários:

  1. Ola
    Confesso que ja tentei acompanhar a série, mas não consegui me envolver, por isso nem os livros chamam a minha atenção. Apesar disso, já li ótimas críticas a respeito. Mas gostei de poder acompanhar suas impressões a respeito, e fiquei curiosa quanto ao desenvolvimento e pelo que você comentou.
    Beijos, F

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  2. Olá!
    Eu não gosto desta série rsrs
    Não sei porq ela me prende em nada!
    Mas este livro vc resenhou de uma forma tão linda que me interessou bastante rsrs
    Só não coloco ele em minha meta de leitura porq estou evitando rsrs
    Eu também odeio spoiler
    Tua resenha é um prato cheio para quem ama doutor who .achei a capa muito bem trabalhada

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  3. Oie...
    Gostei bastante dessa resenha mais curtinha, pois, dependo do livro se esticarmos demais o spoiler acaba sendo inevitável e isso atrapalha demais na hora da leitura.
    Acredita que ainda não assisti essa série? Kkkk... quase nunca assisto séries, mas, agora fiquei bastante interessada no livro, após você ter falado com tanta convicção! Vou botar nos desejados ;)
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  4. Oi!
    Eu morro de vontade de assistir a série, mas não sei nem por onde começar rsrsrs
    Acho incrível esses livros que contam mais histórias dessa série que é tão querida pelos fãs, pelo jeito esse é mais um livro incrível e com um cuidado excelente da editora.

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    1. Oi Sabrina, tudo bem?
      Se tu quiser, pode começar pela NewSeries, que já tá na décima temporada, mas, Doctor Who é de 1963 e até 1989 foram 26 temporadas, o que é um bocado de episódios. Só no meu pc a terceira e quarta encarnações do Doutor tem mais de 20 GB de espaço em HD e isso que eu ainda não tenho todos os episódio do quarto.
      Se tu tiver paciência para ver, recomendo seriamente!
      Beijos!

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  5. Olá,
    Confesso que não conhecia os livros e muito menos a série. E devo dizer que não gostei do que li até aqui (nada contra a sua escrita que por sinal é maravilhosa) por que achei muito confuso a estória em si e também por que me parece ser tediosa em alguns momentos.

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  6. Olá,

    Eu tinha conhecimento desse livro, mas nunca senti o interesse em fazer a leitura, pois o universo do Doctor Who nunca me atraiu e achei um pouco confuso toda essa mudança e reviravoltas da história, mas que bom que como fã da série o livro tenha lhe agradado.

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  7. Oiee Renata ^^
    Eu sempre vejo menções de Doctor Who em blogs e até mesmo em séries que acompanho, mas não sinto curiosidade de conhecer, acho que a história em si não me chama a atenção :/ Mas fico feliz em saber que você gostou do livro, e espero que outros leitores também apreciem a leitura :)
    MilkMilks ♥
    P.S.: Não queria parecer chata, mas lá em cima você colocou que a editora é Companhia das Letras...haha'

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  8. Melhor uma resenha curta do que uma spoilorenta! Hahaha
    Eu sou bem perdida na BR quando o assunto é Doctor Who. Não curto muito essa coisa meio psicodélica que ele tem, sabe?
    Não leria, mas sei que muita gente curte bastante.

    Beijos

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  9. Oiii!!!
    Nunca vi nem li nada sobre Doctor Who. Sua resenha foi meu primeiro contato. Achei interessante esse livro, mas esse é o tipo de série que tem que procurar saber por onde começar primeiro para não pegar spoiler e também não ficar boiando. O importante é que a trama para você foi boa, me pareceu também. Já li um conto que falava sobre mortalhas, então ao ler sua resenha, já sabia mais ou menos do que se tratava.
    Beijos

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  10. Olá!

    Devo dizer que conheço a série mais de nome mesmo, mas nunca tive vontade de ler ou assistir para conhecer mais profundamente. Quem sabe um dia eu tire uns tempos para ver ou ler!

    Parabéns pela resenha.

    Nicoli Alexandre - As Meninas Que Leem Livros.

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  11. Olá,
    Tenho o livro Shada em casa porque ganhei em um sorteio, mas confesso que nunca dei muita bola a ele. Como não costumo assistir séries, desconhecia que os livros eram baseados em uma. E tenho que dizer que fiquei meio perdida lendo a resenha em meio a tantas informações e também quanto aos volumes que a saga apresenta.
    Sua resenha foi a primeira que li sobre as obras e, tenho que dizer, infelizmente não me animou muito para fazer as leituras. Quem sabe no futuro.

    LEITURA DESCONTROLADA

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