06 julho 2017

[Claquete] Série: GLOW - 1ª temporada


Sinopse: Uma atriz desempregada e desiludida encontra uma nova forma de sobreviver. Ela se une a um grupo de mulheres, entre elas atrizes e dançarinas, para formar a GLOW. Elas participam de lutas livres e esperam fazer carreira no show business.

Título: GLOW
Lançamento: 23 de junho 2017
Temporadas: 01
Duração: 29 a 35 minutos
Gênero: Comédia Dramática
Exibição: Netflix 


O ano é 1985 nos Estados Unidos. Perto do fim da Guerra Fria. Ano de assuntos que preocupam a população mundial no geral. O segundo mandato de Ronald Reagan na Casa Branca. Lançamento de filmes que em 2017 são clássicos inquestionáveis, como De volta para o futuro e A hora do espanto.

"Estou interessada em papeis de verdade."

Nessa época, em Los Angeles, Nevada, vive Ruth Wilder, uma atriz em busca do estrelato, mas já na casa dos trinta anos, o que significa, pelo menos naquela ocasião, que as oportunidades dela estão cada vez mais escassas e dificilmente ela conseguirá um papel realmente importante. Deborah “Debbie” Eagan, por sua vez, vive em Pasadena, Califórnia, é também atriz, com um sucesso bem maior, especialmente em “soap operas” (novelas), mas no momento está afastada em razão de ter “tirado um tempo” para ter um filho, Randy, com o marido Mike, um típico americano: trabalhador e pai de família. Que acaba por trair Debbie com Ruth em uma noite onde ambos estão comemorando por fora, mas por dentro estão um caco. Um por não ter a devida capacidade conversar decentemente sobre o que o incomoda, outra por estar cansada da própria vida e do jeito que as coisas estão andando para ela.

"Ruth, vai haver uma audição.
Estão procurando mulheres não convencionais, seja lá o que for isso."

Entretanto, um inesperado teste, que segundo a agenciadora, pede por “garotas não convencionais”, pode ser a chance que Ruth esperou toda uma vida. Mesmo que seja um assunto do qual ela nada entende: a luta livre profissional. Sam Sylvia, quarentão viciado em cocaína e garotas jovens e bonitas e um diretor em franca decadência há anos, porém, acaba chamando Debbie para o mesmo teste e nessa altura, a mesma já sabe a verdade da infidelidade do marido e quer se vingar da “amiga traíra”. O que se torna o mote para criar uma feud entre as duas no programa em questão.

"- Olá moças. Eu sou Sam Sylvia. E isto é GLOW.
- Desculpa, o que é GLOW?
- Garotas Lindas da Luta Livre."

Com o passar do tempo até a grande estreia, porém, ambas convivem com um grupo de mulheres, uma muito diferente da outra, de todos os corpos, alturas, tons de pele, etnias e biografias, que estão igualmente em seus limites e só querem ser felizes. Carmen, Sheila, Tameé, Cherry, Melanie, Rhonda, Stacey, Dawn, Arthie, Justine, Jenny, Reggie e Mallory além das próprias Ruth e Debbie. Todas elas em busca de um sonho e lutando para que ele se torne real. E as agora “ex-amigas” descobrem que existe vida além do costumeiro e vão lutar para isso ser verdade.

Essas, e isso, são as “Gorgeous Ladies of Wrestling”. Ou simplesmente, GLOW.


Esse texto, por mais que seja para falar de GLOW, certamente não vai mostrar nem metade do amor que adquiri por essa série. Que, na minha opinião e que me perdoem os fãs de Sense8 e outras séries da mesma Netflix, foi a melhor coisa que ela fez desde que nasceu, lá em 1997 e começou a produzir conteúdo original, em 2011. Embora nesse caso ela tenha sido, na sua concepção e execução, baseada na GLOW real, exibida entre 1986 e 1990, que passou aqui no Brasil com o nome de Luta Livre de Mulheres.

Primeiramente, tenho que admirar a capacidade das roteiristas em escrever cenas curtas e concisas, mas muito profundas sem precisar dar tudo mastigado a quem está assistindo. Sim, a maior parte do elenco e produção é feita de mulheres e elas, tanto as reais quanto as personagens, é que dão o tom à série. Mas sem perder a ambientação e o estilo dos anos oitenta, inclusive no estilo de narrativa, duração dos episódios, variando entre 29 e 35 minutos e claro, as situações envolvendo protagonistas e coadjuvantes, que podem soar incômodos para alguns, porém, era o jeito que as coisas aconteciam naquela época. E que devo dizer, nem mudou tanto assim apesar de muitos afirmarem o contrário.


Em segundo lugar, temos Ruth Wilder, uma protagonista forte e determinada, mas ao mesmo tempo profundamente humana e muito complicada na sua própria humanidade. Ela é aquela pessoa que você poderia encontrar em um supermercado fazendo compras, lendo um jornaleco em uma mesa de restaurante ou até mesmo sentada em uma calçada qualquer contemplando o movimento. Ela comete erros, falha muito, mas tenta não perder a única coisa que ela ainda tem de realmente seu: a essência. Além disso, ela, no passar da temporada, se torna essencial para que o programa consiga vir à luz e dar certo. E tenta consertar algo que não tem mais jeito, inclusive tomando uma decisão, no episódio oito, que requer coragem e sangue frio na mesma proporção porque ela sabe que isso pode piorar a situação já ruim dela com a Debbie.

Que é o terceiro lugar dessa abordagem sobre GLOW. Sendo a única “mulher padronizada” de um grupo tão diferenciado, ela, no momento mãe e esposa, inicialmente tem dificuldade em lidar com a situação de estar em um trabalho totalmente diferente de todos os outros que ela fez antes. Já que a série não deixa claro quanto tempo de carreira ela tem mas clarifica que ela já a tem relativamente consolidada. Entretanto, no decorrer da temporada, Debbie começa a se conectar com a situação e percebe que, pela primeira vez em muito tempo, ela finalmente tem controle sobre o próprio corpo e do rumo da própria vida. Embora ela tenha, no final da temporada, de lidar com o marido, que se mostra um belo e incômodo “macho embuste” que é, no momento, a questão sem resolução dela, já que não fica claro se os dois voltaram ou se vão se separar de vez. Apesar de que eu torço para isso não acontecer porque o Mark é um tremendo “asshole” e não acho que ele mereça a Debbie. Mas aí já não é comigo, é com quem produz.


O quarto ponto a comentar é o diferenciado e maravilhoso grupo que formará a GLOW. Há negras, asiáticas, punks, selvagens, festeiras, loucas e todas. Simplesmente há lugar para tudo aquilo que foge do padrão e isso, além das questões mais profundas envolvendo várias delas, é o que faz a série ser ainda mais especial. Especialmente porque, apesar das muitas diferenças de temperamento e das brigas, inclusive uma no episódio dois me deixou p da vida com a Melanie, pois ela sacaneou legal a Cherry, elas jogam isso de lado e se unem para manter aquele sonho de pé sem se importar com as constantes idiotices do Sam Sylvia. Simplesmente querem fazer acontecer e estão “se lixando” para quem dizer algo contra. Além de uma cena durante a temporada deixar claro que existe algo muito mais complicado debaixo da selvageria isolada da Sheila (sabe-se lá porque pronunciam “shila”) apesar que senti falta de cenas envolvendo algumas das outras “lutadoras”. E acreditem, Sam não faz poucas delas na temporada embora ele dê uma boa melhorada de comportamento com o passar dos episódios.

Aqui eu entro no quarto ponto: os dois únicos personagens masculinos realmente importantes na primeira temporada, Sam Sylvia e Sebastian “Bash” Howard. O diretor e produtor da GLOW, respectivamente.


Sam é aquela pessoa que só está nisso, pelo menos inicialmente, porque quer dinheiro para investir em um projeto novo, mas descobre, com o correr do tempo, que aquilo pode ser a verdadeira tábua de salvação da carreira dele, se é que ele tinha alguma naquela altura dos acontecimentos. Além se dar conta de que não está realmente sozinho, pois é assim que ele se sente a maior parte do tempo, pois não lida muito bem com críticas, pelo menos por alguns episódios, embora crie uma linda, sólida e sincera amizade com a Ruth, a quem ele ajuda no episódio oito, de longe o mais dramático da temporada, e constantemente está às turras com o Bash. Que é aquele moço jovem, idealista, meio cabeça de vento, mas cheio de boa vontade e disposição de fazer algo realmente bom embora ele seja bem playboy, já que ele depende da mesada da mãe para sobreviver. Inclusive isso acaba sendo o mote do nono episódio, onde descobrimos um pouco mais sobre ele e a relação dele com a mãe. Que devo dizer, é um bocado estremecida, já que os dois são radicalmente diferentes um do outro.

Isso e muitas coisas eu não posso ficar detalhando porque seria um monte de spoiler, pois quero todo mundo assistindo GLOW e ficando maravilhado com a qualidade dessa produção, que eu recomendo muito para quem quer ver muito protagonismo feminino, com as suas “garotas lindas da luta livre” fora dos padrões absurdos e uma trama muito bem executada, que eu torço sinceramente para ter uma segunda temporada, pois acredito que há grande potencial nela.







18 comentários:

  1. Ola
    Essa série chama muito a minha atenção, especialmente porque estou lendo bons comentários a respeito e acredito que possui um estilo bem instigante, ao qual eu adoraria conferir. Já fiquei maravilhada diante de seus comentários. A netflix sempre arrasando né ♥
    Obrigada pela indicação!
    Beijos, F

    ResponderExcluir
  2. Oi, ainda não tinha visto essa série no catálogo da Netflix, mas achei interessante a sua crítica. Com certeza vou assistir um desses episódios e ver o que acho, até porque são curtinhos rs Bjs

    ResponderExcluir
  3. Eu li a resenha e estava me impressionando, aí vi o trailler e fiquei TODA ARREPIADA. Gente, parece ser uma série maravilhosa! Eu AMO Sense 8 e pra mim é a melhor da netflix, seguida por OITNB! Mas essa tá na lista pra ser assistida e talvez passar na frente das outras ♥

    ResponderExcluir
  4. Oi, Renata!
    Não tinha visto essa nova série. Parece ser bem bacana com a história por trás, o poder feminino! Vou dar uma conferida nessa série.
    Ah! Esse trailer final coma Gretchen é de divulgação ou faz parte da série?
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

    ResponderExcluir
  5. Olá!
    Eu nunca tinha ouvido falar nessa série, na verdade, lendo sua indicação, eu lembrei de algumas referencias dessa série em um filme, mas não tenho certeza se é mesmo. Eu achei muito diferente só por trazer mulheres no papel principal como lutadoras. A série parece ser realmente digna de ser amada, com tantos elementos que desconstrói padrões, com uma diversidade imensa de pessoas. Amei! Vou procurar pela série e colocar na minha lista, obrigada pela dica!
    Beijos,
    Nay
    Traveling Between Pages

    ResponderExcluir
  6. Vi o trailer por aí e na semana de estreia, a Netflix me mandou trocentas mensagens falando do lançamento, mas não me interessei. Detesto lutas e acho que a disputa em si, bem fora da nossa realidade. Não considero isso um esporte.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Ivi, como está?
      Estou ok com o fato de que tu não se interessou por GLOW até porque ninguém é obrigado a.
      Porém, vou ter que discordar de ti, de novo, em um ponto: luta livre é um esporte sim e inclusive existem fundações dedicadas a ele pelo mundo todo e promoções dedicadas a oferecer esse esporte como uma chance de vida melhor para muita gente. Além do mais, existe judô, karatê, taekwondo, jiu-jitsu e outros esportes de luta, cujos golpes são a base para vários movimentos usados pelos chamados "wrestlers", ou seja, quem dizer que luta livre não é esporte está fazendo uma bela contradição.
      Inclusive o "pro-wrestling" atual é basicamente uma variação da luta greco-romana lá de antigamente. Só que misturada com o que chamamos de MMA (Mixes Martial Arts), só que tudo isso pré estabelecido, inclusive a parte dos golpes, para os quais toda a promoção tem um monte de regras, pelos roteiristas, que fazem basicamente a mesma coisa que os autores de novelas e séries, o que cria o chamado "esporte de entretenimento", devo dizer, o único no mundo. Naturalmente, sem toda aquela chamada "enrolação" da qual tanta gente reclama nas novelas atuais e sem a violência presente no UFC, que ali sim pode ser considerado violento de fato. Tanto é que os programas da WWE (World Wrestling Entertainment) são classificação PG-13, ou seja, meninos e meninas a partir de 13 anos podem assistir sem medo.
      Abraços.

      Excluir
  7. Olá...
    Adorei a dica!
    Acho super legal quando encontro essa coluna por aqui, pois, não tenho muito o hábito de assistir séries, então, através desse post vocês me deixam atualizada ;)
    Gostei da dica e em breve pretendo assistir !
    Bjo

    ResponderExcluir
  8. Vi alguns trailers e chamadas da série, não é uma série que chama a minha atenção. Até assisti o primeiro capítulo mas só, assim como Sense8, acho que ela é uma série que não funciona pra mim. Mas gostei de todos os pontos que você levantou em sua opinião. Espero que consiga a segunda temporada.
    Bjim!
    Tammy

    ResponderExcluir
  9. Olá
    Não acredito que ainda não vi essa série, uma vez eu passei por ela enquanto estava em busca de alguma coisa para assistir na Netflix. A premissa é muito legal e parece ser até divertida em certos momentos.Com toda certeza irei dá uma chance a essa série vou até adicionar ela a minha lista. Beijos

    ResponderExcluir
  10. Oie! Tudo bem?

    Eu não sabia sobre o que se tratava a série, mas achei a proposta dela bastante interessante, mas infelizmente não faz o meu tipo de série, mas deixarei o nome anotado para quem sabe no futuro eu assista!

    Bjss

    ResponderExcluir
  11. Olá Renata,
    Ainda não conhecia essa série, confesso que não fiquei interessada em assistir, simplesmente, porque não assisto séries, mas, apesar disso, tenho que confessar que a premissa é interessante, pois gosto muito de coisas com luta livre. Sempre assisto.
    Vou anotar o nome, quem sabe eu não começo a assistir?
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

    ResponderExcluir
  12. Estou louca para assistir essa série porque a proposta dela é realmente incrível, e ainda mais por ser um elenco quase inteiro feminino e com personagens bem reais em um ambiente diferente do convencional pra época da série.
    Assim que terminar de assistir essa série vou começa-la

    ResponderExcluir
  13. Olá,

    Eu vi a netflix divulgando essa série no facebook, porém não sei muita bola, pois não faz muito o estilo de série que costumo assistir. Contudo, lendo sua opinião sobre a série, achei a premissa muito interessante e fiquei bem empolgada para assisti-la. Infelizmente, não ando com muito tempo para assistir sérias, mas anotarei a dica para quando surgi a oportunidade.

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com

    ResponderExcluir
  14. Oi,
    esse mês estou bem afastada da Netflix por conta de umas leituras que preciso agilizar, mas sempre que posso procuro séries novas para acompanhar, fato que me trouxe ao ponto que estou com uma lista infinita que não dou conta. No entanto essa não me chama a atenção pelo simples fato de que não curto mesmo, não costumo acompanhar esses eventos quando televisionados e não me vejo assistindo uma série inteira voltada para isso, se por acaso aparecesse vez ou outra sobre outro plano de fundo eu até assistiria, mas como foco principal não me atrai, no entanto gostei de suas considerações, de longe nota-se que você curte e entende do assunto.

    Beijos!

    ResponderExcluir
  15. Olá!
    Como não conhecia essa série? Amei!
    É uma série diferente, faz a gente sair da nossa zona de conforto, pois nunca vi nada desse estilo, e com mulheres, sensacional.
    E esse trailer com a Gretchen? Arrasou.

    Beijos
    Leitora Dramática

    ResponderExcluir
  16. Fiquei sabendo dessa série, mas não gosto muito de coisas de luta. Ainda mais desnecessária assim...Não sei muito sobre a trama nem nada... Mas pelo jeito, pelo menos no começo, a casada culpa a outra mulher pela traição do marido... porque as mulheres não culpam os maridos? Mas assim, eu não vi a série, sei só o que você contou... Talvez ainda veja para ver todo esse protagonismo feminino...

    Abraços!
    www.asmeninasqueleemlivros.com

    ResponderExcluir
  17. Olá, tudo bem?
    Adoro essa série, desde o primeiro episódio eu me apaixonei de uma tal maneira, acho que agora eu acredito em amor a primeira vista ♥
    Um beijo.

    ResponderExcluir